domingo, 31 de julho de 2011

Gostos - update

Dizia-me ontem A Chata que as minhas listas, escritas em 2006, aqui e aqui, deviam ser actualizadas, pois seria mau se, passados estes anos todos, nada tivesse a acrescentar. Concordando com ela, aqui vai disto, no sítio onde parei, correndo mesmo assim, o risco de repetir alguns.

Gosto:

114- dos meus sofás castanhos novos
115- do meu refúgio de aldeia bimensal
116- de passar férias de verão na mesma casa, com as mesmas pessoas, fazendo as mesmas coisas de sempre
117- de polvo à lagareiro
118- de dar duas de treta com 2 ou 3 bloggers que eu visito e que me visitam
119- de me embrenhar num livro, esquecer-me do tempo a passar e que tenho que comer (felizmente há quem me acorde aos berros a pedir comida)
120- de jogar Internet Backgammon
121- de pensar que um dia serei dona duma autocaravana confortável que me levará por essa Europa fora
122- de algumas das pessoas com quem trabalhei nos últimos 2 anos lectivos
123- de comprar roupa ou acessório para mim, inesperadamente, sem que esse fosse o objectivo de andar a ver montras
124- do perfume Weekend, da Burberry
125- de iogurtes de sabor a caramelo
126- muito de feijoada, cozido à portuguesa, aletria, arroz doce e leite-creme
127- da minha sala de estar / jantar, de Braga
128- de ouvir AC/DC em altos berros, quando vou sozinha no carro
129- de ver a minha criança a dormir serenamente
130- que outras pessoas me contem coisas acerca delas
131- de perguntar às outras pessoas coisas acerca delas - sou bisbilhoteira, portanto.
132- de algumas séries de Tv: House, Bones, Hawai 5-0, CSI, Investigação Criminal, Lie to me, etc
133- gosto de piadas ordinárias, brejeiras mesmo
134- de surpreender e ver a cara de espanto de outros, quando digo que sou capaz de contar as letras duma palavra e, um segundo após ela ser proferida, dizer em voz alta quantas letras tem
135- de sentir o calor do sol na minha pele desnudada
136- de sentir água morna a correr pelo corpo, durante um duche mais prolongado
137- de leite gelado, no verão, e de leite quente, numa chávena que aqueça as mãos, no inverno
138 - de ler John LeCarré, Stieg Larsson, Philip Roth e Paul Auster
139 - de ler os livros infanto-juvenis que dou ao meia-leca, antes de ele os ler, para mais tarde ser capaz de falar com ele sobre eles
140- de fotografia erótica a preto e branco (penso que esta é repetida)
141- de cabelos longos lisos pretos
142- de ouro branco
143- de olhar para mulheres bonitas, vestidas com gosto, que transpiram confiança nelas próprias
144- de olhar para homens de porte atlético, detentores de unhas bem tratadas, dentes brancos e aquele ar de "bad boy" mas bem-comportado em público
145- de visitar a minha mãe e conversar com ela; imagino-me a dizer-lhe tudo o que antes não fui capaz ou não quis
146- da playlist do blogue do Pulha Garcia. Um destes dias escrevo sobre ele.
147- que o meu filho goste de ouvir e cantar Xutos & Pontapés
148- de ouvir a Linhavançada, na Antena3
149- de actualizar esta lista
...

sábado, 30 de julho de 2011

Segredos - V

Já dei por mim a pensar em esparguete durante o acto sexual. Ignoro se tem algum significado implícito.

Uma das minhas prendas de anos e o meu mês ainda não chegou

Mas está quase, falta um dia.
E já cá canta o volume 3 da saga "Millenium" que me viciou enquanto lia o primeiro, prenda antecipada de anos do mais-que-tudo. Agora que estou no segundo e ainda antes de ter alcançado a centésima página, sinto-me totalmente viciada na personagem feminina Lisbeth Salander, uma jovem atípica, com uma inteligência invulgar, com memória fotográfica, com uma capacidade inata de brincar com os computadores e descobrir segredos, com um aspecto físico trinca-espinhas tatuada, absolutamente anti-social, fechada na sua redoma emocional, fisicamente cruel com quem a tenta espezinhar e desconfiada da maior parte daqueles e daquelas que dela se aproximam. Descrição muito aquém daquilo que ela É nas setecentas e tal páginas lidas. É ler para crer. Aconselho vivamente. Obrigada pela sugestão de há alguns meses, sacana.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Segredos - IV

Já casada, mas sem descendente, no tempo em que ainda acampava, eu e a minha amiga B. apanhámos uma grande bebedeira no Parque de Campismo do Serrão, também muito à custa duma lata de salsichas Nobre e vinho tinto rasca. Eu, mais que ela, fiz uma triste figurinha, que ainda hoje é recordada quando o meu marido quer envergonhar-me  perante o meu pai.

Já cá canta o volume 2 da série "Millennium"

Prevejo mais umas noites longas à custa do sueco. Este volume acaba na página 611. Quem aposta quanto tempo eu vou demorar com este? Começo hoje à noite!

Sexta-feira ociosa, como já vem sendo hábito

Vou dedicar parte do tempo a varrer alguns links ali ao lado e a acrescentar outros, que já lá deviam estar há muito tempo, etiquetando-os à minha maneira.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Segredos - III

Quando regressava da escola a pé, gostava de tocar à campaínha das portas e pôr-me na alheta e só parar num sítio onde, escondida, pudesse ver quem abriria a porta.

Agora que está mais velhote

...levava-me ao chão num instantinho! Vejam, vejam-no no AXN, mesmo que passem os mesmos episódios uma série de vezes, a altas horas da noite!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Meias e o meu primeiro parágrafo


"Carapins" é o nome que dou a este tipo de meias tricotadas com lã grossa e cujo resultado é tão esteticamente feio como confortavelmente agradável em pleno Inverno. Meias de andar por casa, portanto. Meias para andar dentro de casa, casa feita de pedra, localizada num monte longe da civilização. Meias a serem exibidas por pernas cruzadas em frente a uma lareira com o fogo vivo e a lenha a crepitar. Meias de homem do campo calçadas por uma mulher da cidade.

Então é assim

Em 2006, 3 ou 4 pessoas redigiram textos a meias que foram publicando nos seus blogues. De todos os textos, restam apenas os dois escritos por mim, que destaco no post debaixo, pois nenhum de nós teve o discernimento, na altura, de guardar o resultado final. Entretanto, foram-se os blogues e ficou o meu, em águas de bacalhau, durante uns tempos.
O que eu quero de vós, que têm blogues (logo, os comentadores anónimos estão excluídos) é o seguinte: que participem, comigo e com quem quiser, na escrita de textos em cadeia, vá lá....chamo-lhe assim à falta de melhor, ou seja,  Eu escrevo um parágrafo sobre um tema qualquer, sem limite de frases ou palavras.

As regras são as seguintes:
1) A primeira pessoa, com blogue, que o comentar deverá continuar esse parágrafo no seu blogue. Ou escrever outro parágrafo, que tenha ligação ao anterior, também sem limite de frases ou palavras. E assim por diante, nos seus blogues. Portanto, esta é mesmo a regra primordial.
2) O parágrafo deverá ser acompanhado duma foto, que faça referência à fonte ou ao fotógrafo, se for o próprio.
3) O parágrafo é escrito somente em língua portuguesa, logo, nada de estrangeirismos.
4) Estas regras deverão ser divulgadas nos blogues participantes.
5) Cada blogger participa uma única vez.

A brincadeira acaba quando 11 bloggers (eu + dez) tiverem participado. Porquê 11? Apeteceu-me que fossem onze!
Os onze parágrafos e respectivas fotos serão publicados no meu blogue, com a autorização dos outros donos, no final, que, obviamente poderão fazer o mesmo, se o desejarem.

OS MEUS objectivos passam pela tal interacção sã entre bloggers, de que falei há tempos, e também pela descoberta de outros locais de leitura, além dos nossos habituais.

Se a ideia for estapafúrdia, por ser mais uma daquelas correntes absurdas, ninguém é obrigado a participar. Não há selos nem prémios nem leitão à bairrada. Apenas escrita e leitura e comentários.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ando com esta fisgada já vai algum tempo

Gostava que lessem isto (é a parte 2) e mais isto (é a parte 8). Demora algum tempo e requer paciência. Os links estão desactualizados, pois já não ligam aos URLs originais. E amanhã conto o que se passa na minha mente ociosa. Agora vou deitar-me, cedo, diga-se, pois amanhã tenho que dar o pequeno-almoço a dois espécimens masculinos.

Segredos - II

Eu e a minha companhia deixámos um café-esplanada na Praça de Giraldo, Évora, sem pagar a conta, pois foi pedida três vezes em cerca de meia-hora, e nunca veio. Fomos à nossa vidinha.

Um vosso por um meu e eu inicío a transacção

"As pessoas têm sempre segredos. É uma questão de os descobrir." - Lisbeth Salander

Quando era miúda, antes de ter 10 anos, costumava roubar moedinhas de escudos ao meu avô materno para comprar gelados.

Eu disse...

Hoje apaguei a luz às 5:30 da manhã. Grande reviravolta, sim senhor! E ainda não terminou!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os homens que odeiam as mulheres - o livro do momento

255 páginas lidas dum livro que contém 551 (fora aquelas páginas finais que já não são parte da história) e continuo completamente embrenhada neste thriller, do qual já li a última página (nunca consegui resistir à última página de bons livros), e apesar disto, continuo sem vontade de parar. Vai ser outra noite longa, vai...

domingo, 24 de julho de 2011

Por onde é que eu tenho andado estes anos todos para só agora pôr os olhos nele?

Stieg Larsson

Duas noites a ler 145 páginas do primeiro livro da trilogia Millenium e a sentir que já há muito tempo que nenhum autor morto me fazia queimar as pestanas como este sueco . Já sei o que pedir quando fizer 39 anos!

Ontem foi só desgraças mesmo


Desgraça europeia elevada a mundial: Noruega.
Desgraça musical elevada a mito: Amy.
Desgraça local que me tocou cá no fundo: atropelamento na minha rua de um pai, o filho e a filha que regressavam a pé da piscina. A filha inspira cuidados de vida.

Este mundo anda louco há muito tempo.

sábado, 23 de julho de 2011

Desconsolo

Os anónimos comentadores nos blogues são uns chatos do caraças. Isto de cá vir comentar sem deixar rasto para o seu blogue não tem piada nenhuma. Assim como é que eu consigo descobrir outras pessoas ociosas como eu? 'Tá mal!

Mais um dos meus preconceitos

Eu não gosto de lojas chinesas...ponto final.
Não gosto dos cheiros que nem me dou ao trabalho de identificar. Enjoam-me. Não gosto da disposição dos artigos, porque acho que não estão organizados. Não gosto da salgalhada de cores que poluem o meu campo visual. Não gosto de ser atendida por pessoas cuja língua não percebo e também não faço por perceber, nem elas a mim. Não gosto da qualidade dos artigos nem os preços me atraem. Prefiro pagar bastante mais, seja por roupa, calçado ou brinquedos e ter a certeza que o item dura mais do que um mês quase intacto. Não gosto da entrada das lojas, demasiado espalhafatosas para o meu gosto.

Dito isto, ontem fomos jantar a um restaurante chinês e claro, levámos o nosso catraio de 9 anos, criatura curiosa, sociável e descarada q.b. Sendo a sua segunda ida a um destes locais de restauração, cedo começaram as perguntas: sobre a ementa, sobre os dragões à entrada do local, sobre os crepes e os molhos, sobre os pauzinhos que nos deram para fazermos má figura enquanto comíamos arroz xau-xau, sobre os pictogramas nos pauzinhos, sobre gelados quentes...enfim, não faltou conversa. Estávamos nós, adultos quase a terminar o prato principal e o rapaz ainda se debatia com os pauzinhos, sem conseguir enfiar um grão de arroz no bucho. O mesmo se passava com as ervilhas. E eu gostei....gostei de ver a sua persistência em aprender a manusear objectos duma cultura que não nos pertence, persistência que o caracteriza no que diz respeito a assuntos que lhe interessam (vulcões, espaço, terra...sei lá que mais). Trouxemos os meus pauzinhos para casa, pois eu não os usei e já sei que a próxima refeição de arroz vai ser...caótica!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A tal interacção de que eu sinto saudades

O segundo aspecto que me agrada em escrever sobre outros bloggers, mesmo não os conhecendo e mesmo que a imagem criada por mim não corresponda à realidade, é que quem conhece esses outros bloggers, tanto na blogosfera como lá fora, tem demonstrado entrar no espírito da brincadeira, comentando e complementando o que escrevo, deste modo enriquecendo imenso as minhas composições. É este convívio divertido e salutar entre pares que, quanto a mim, devia reger qualquer blogue cuja natureza é somente dar azo à imaginação de quem o criou. Cada um faz o que quer da sua liberdade virtual desde que esta não seja usada para denegrir outros a lavar roupa suja.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Advogada tripeira e portista que pinta o cabelo de azul


Alguém ainda se lembra da Robina, uma das dinossauras da blogosfera de há 5 ou 6 anos ? Vão lá visitá-la e vão ver se o que se segue é ou não é, TAMBÉM, a cara da desaparecida.

Pois foi dela que me lembrei quando comecei a acompanhar o blogue da menina Julie D’aiglemont. Confesso que, a princípio, aquele nick francês pseudo-aristocrático não me impressionou por aí além. Bem pelo contrário, fez-me pensar que por detrás dele estaria uma miúda dada a intelectualismos balofos nostálgicos com saudades do utópico comunismo. Vai-se a ver e a rapariga até gosta do Paulinho das feiras e eu estava completamente errada acerca da menina Julie, que me faz dar umas gargalhadas valentes quase todos os dias!

Posto isto, vou perder tempo a escrever sobre a menina Julie. Sim, porque há quem ache que escrever por gosto e escrever sobre outros que nem sequer conheço é perder tempo. A mim dá-me um gozo do caneco escrever de rajada estes textos longos sobre pessoas que nunca vi mais gordas na vida. Imaginar o seu dia-a-dia, descrever os seus hábitos, as suas falhas, se serão gordas, magras, ruivas, pretas, com unhas azuis ou músculos prestes a explodir …é apenas um exercício de escrita. Nada mais! Só a pessoa dissecada saberá se o meu exercício corresponde à realidade ou se é pura tolice da minha mente ociosa.

A menina Julie é dona dum sentido de humor mordaz, duma ironia macabra, duma capacidade de rir das coisas mais estúpidas e mórbidas que o ser humano origina, dum talento anormal de ver graça onde eu só vejo desgraças. Eu imagino que a menina Julie seja uma pessoa de riso fácil, se calhar demasiado fácil em circunstâncias que exigem seriedade. Eu imagino a menina Julie atrás da sua secretária de trabalho, a atender um cliente no escritório de advogadas e advogado (coitado) onde trabalha, tentando manter o seu ar sério e respeitoso, mas mortinha que o homem saia para que ela possa finalmente rebolar-se no chão e rir a bandeiras despregadas, de qualquer coisa que o pobre homem tenha dito ou da gravata horrorosa manchada de gordura que ele usava. Às vezes, a menina Julie consegue ser mazinha, não maléfica, mas ao mesmo tempo põe o dedo na ferida, naquelas feridas sociais que muitos preferem eufemizar ou até não verbalizar. A menina Julie deve ter uma bolsa de contactos extra-profissionais enorme, pois são eles que por vezes lhe fornecem o seu material humorístico. Mas há que lhe dar crédito, à menina Julie, pois também ela consegue encontrar, não se sabe como, verdadeiras pérolas que generosamente partilha com os seus leitores. Pérolas de mau gosto, ordinarices, injustiças, textos e imagens pouco ou nada correctos, alvos de crítica fácil…que ela consegue transformar, com os seus comentários certeiros, em momentos de puro prazer humorístico.

Eu imagino a menina Julie na casa dos 30, acima dos 35, na verdade (se tiveres menos, menina Julie, podes sempre ripostar). Nem magra nem gorda, mas sempre elegante nos seus saltos de profissional do Direito, área laboral que destoa da tatuagem que exibe orgulhosamente no ombro direito. Mas afinal quem é que disse ou onde é que está escrito que as advogadas têm que se apresentar sem apêndices corporais? Ora, ora! Um pouco de rebeldia nunca fez mal a ninguém e ela é rebelde que baste. Li há pouco tempo que gosta de pintar o cabelo de azul em período de férias, mas que tem o bom senso de o colorir quando recomeça os seus afazeres profissionais. Não lhe gabo o mau gosto. Azul?? Porra, ser do FCP já não é defeito que chegue?? Usar uma cor tão celestial para dar largas ao seu direito de liberdade de escolha é meio caminho andado para que ela vá direitinha ao reino de belzebú, onde me irá encontrar e ao resto da malta. É certinho! Sempre pronta a exceder-se no que toca a partilhar disparates sinistros que a fazem rir e aos outros. De convencional pouco tem. Veja-se a lista de progenitores e familiares que a menina Julie apresenta ao lado dos seus “posts”. Sim, clickem nas imagens, se é que ainda não o fizeram…um melhor do que o outro!

Eu imagino os finais de dia daquele escritório de advocacia, chamado Pro Rata, onde reinam três mulheres e um homem (coitado): cada uma mais maluca do que a outra, quando chega a hora de asneirar, mas responsáveis e sérias quando necessário, pois só assim poderia haver compatibilidade pessoal e profissional entre os quatro.

Se tivesse que escolher uma personagem literária para ser encarnada pela menina Julie, ela seria um João da Ega de saias! E para aqueles que não sabem de quem eu falo, eu sugiro uma leitura levezinha para as férias de Verão. E bastante actual!

terça-feira, 19 de julho de 2011

E vocês? Também caminham?

Teste de Dependência da Internet



Pontuação: 42
Resultado: Você é um utilizador médio. Por vezes poderá até navegar na Internet um pouco demais, no entanto, tem controlo sobre a sua utilização.

Tá bem. Agora vou ali dar uma caminhada após o jantar, a segunda em toda a minha vida de quase 39 anos.

Assunto sério e o AO de 1990

Acabei de ler algures alguém a chamar-me fundamentalista. Pois, se calhar até sou... (GM, a partir daqui já não te interessa :P)
Eu sou daquele tipo de pessoas que resiste muito à maior parte das mudanças que afectarão a vida pessoal e profissional. Leio, oiço, aprofundo, comento, torço o nariz, digo mal, reconheço vantagens...mas quando chega a hora H, lá está a maldita resistência a pesar mais do que a mudança. Umas vezes ganha, outras vezes perde. Neste caso, eu sei que a minha resistência vai perder, pois serei obrigada a ensinar em conformidade com o acordado há muito tempo. No meu contexto profissional impõe-se, a partir de Setembro de 2011, o ensino da mudança da grafia da Língua Portuguesa, de modo a uniformizar o que ficou acordado há 21 anos!!! Pois, o Acordo Ortográfico foi assinado há mais de duas décadas e só na segunda década do século XXI é que efectivamente se implanta. E eu continuo a perguntar: para quê? Há de facto mudanças que não me desagradam, mas há outras que são uma aberração.

Alguns reparos, feitos por terceiros, mas só hoje é que me apeteceu escrevê-los no "papel":
  1. 21 anos para mudar formalmente a grafia de uma língua parece-me demasiado tempo;
  2. As mudanças linguísticas não devem, quanto a mim, acontecer por decreto, mas sim porque a língua é usada por milhões de pessoas;
  3. Se até agora portugueses, brasileiros e falantes dos PALOPs sempre se entenderam, porquê a necessidade de uniformizar apenas a grafia? Continuamos a pronunciar de maneiras diferentes mas passamos a  escrever alguns vocábulos da mesma maneira. Incoerente...
  4. Mudam algumas palavras para os brasileiros, mudam muitas palavras para os portugueses, algumas escrevem-se de duas maneiras para ambos. Confusão!
  5. Todas as mudanças são uma questão de hábito, mas esta mudança vai chocar com aprendizagens feitas ao longo da vida, de muitas vidas. Muitas vidas que terão que re-aprender a escrever se quiserem manter-se correctos - eu incluída!
  6. ...
Exemplos estranhos:

  1. Continuamos a escrever "egípcios", apesar de desaparecer o "p" de "Egito"
  2. Eliminar o hífen do verbo "haver", quando conjugado no presente do indicativo (Eu hei de, tu hás de, ele há de) - pergunto: porque é que não se escreve então "Eu heide, tu hásde, ele háde"?
  3. A palavra "co-ocorrência" passa a escrever-se sem hífen: coocorrência. Visualmente esquisito, não?...
  4. O uso de maiúscula e minúscula é facultativo no que concerne a disciplinas escolares (língua portuguesa, Língua Portuguesa). Porra, decidam-se!
  5. O que diria o falecido Eça se visse o seu título "O crime do padre Amaro" escrito com iniciais minúsculas e maiúsculas?
  6. O verbo "parar" já não terá acento agudo na frase "Para para pensar, puto!".
E assim, muito superficialmente, me insurjo contra a implementação do AO, apesar de ter que a fazer com os meus catraios. E eu que nem sequer sou professora da língua afectada! Mas que vai ser confuso, vai!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Anedota badalhoca

Esta pode e deve ser lida em voz alta no local de trabalho.

-De que cor é o "broche"? - ROOOOOXO
-E o minete? AMAREEEEEEEELO!

domingo, 17 de julho de 2011

Epístola da IG à Pseudo

A minha amiga IG contra-atacou e aqui vai disto, a roxo, porque ela gosta e eu não! Por falar nisso, amanhã sai anedota badalhoca!


(Se o que escreveste sobre mim tivesse referência a datas, diria uma biografia não-autorizada…)
Nunca pensei que alguém consagrasse tanto tempo e cuidado a pensar acerca da minha pessoa… de facto, não sou ninguém em especial para merecer tamanha dedicação – sou apenas mais uma ilustre desconhecida que entra e sai na vida dos outros... deixando em alguns saudade, noutros alívio… - sim, sou de extremos!
De facto, tenho que o admitir, reconheço-me em muito do que escreves sobre mim, mas, obviamente omitiste algumas características menos boas (sou chata, sou muitas vezes inconveniente – há alturas em que tenho piada, mas depois estrago tudo porque não sei parar; também sou implacável, quando alguém me desilude ou propositadamente me prejudica NUNCA, mas NUNCA mais espere um perdão da minha parte; e, ainda há outra coisa: quando me sinto injustiçada vitimizo-me mais do que qualquer outra pessoa que possam conhecer --- sim, também sou muito dorida: qualquer médic@ e enfermeir@ o pode confirmar; …). Na tua descrição acerca da minha pessoa/personalidade foste sem dúvida soft e simpática comigo – foi bálsamo para o meu ego.
Mas eu também te conheço bem… sei como és… aliás, basta-me ter uma mãe que faz anos no mesmo dia que tu, para saber como amuam, como explodem, como “levam tudo à vossa frente”… e como sabem ser leais e presentes nas alturas mais “delicadas” dos amigos – mais uma vez demos provas que podemos contar uma com a outra – desta vez, espero bem que não, mas possivelmente és tu que me vais valer e consequentemente salvar as minhas férias – sabes que estou a falar da nossa tormenta anual que se repete sempre nesta altura do ano...
 Sei que não preciso de estar todos os dias/meses contigo para saber que a determinada altura basta um SOS, muitas vezes enviado por sms ou então um telefonema para ficar prontamente resolvido/decidido o que fazer – é verdade: ao telefone costumamos ser rápidas e “despachamos” em poucos instantes o que tiver que ser “despachado” – isso mostra que há entre nós uma cumplicidade que dispensa formalismos. Sabemos que podemos contar uma com a outra em muitos momentos… e temos uma coisa em comum… adoramos “bisbilhotar”, ai, o que nós adoramos isso…
Eu na blogosfera… não, não me parece. A minha vida social/profissional não o permite… mas adoro o estilo telegráfico e divertido (sim, porque eu o torno divertido) do Facebook – infelizmente tu não és tão adepta, eu sei.
Para terminar só me resta dizer: Ai de ti se tivesses disponibilizado o meu número de telefone, foto, morada, etc. … responsabilizava-te mesmo pelo resto da minha vida – pois TAMANHA personalidade não é para qualquer um e eu iria vitimizar-me de seguida…

Roxo e a minha embirração com o roxo

Para mim, roxo significa tristeza, morte, padres decrépitos e velhotas, pessoas carpideiras, dor, nostalgia, fealdade, caixões cobertos com vestes roxas, gótico, escuridão...
Assim de repente, é o que associo a esta cor, tão na moda desde há 4 ou 5 anos. No meu armário não há uma única peça roxa (já houve uma lilás, que dei), não há bijuteria roxa, mesclada ou unicolor. Não há peças decorativas roxas. Não consigo gostar. Até pode ser um des-gosto irracional, mas prefiro a combinação tricolor preto-branco-vermelho no que toca a roupa e castanho para a casa. São gostos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Estou numa de relaxe, finalmente

Tendo-me dado ao luxo de hoje acordar por volta das 10 da manhã, fui tomar o pequeno almoço ao café da esquina, sentadinha e enquanto lia o jornal.....tudo coisas que nunca faço durante o ano. A dona estranhou a minha postura e comentou, o que deu origem a um agradável bate-papo durante o qual eu expliquei porque estava ali tão descansadinha, pois habitualmente entro para tomar café e em 2 ou 3 minutos, ponho-me na alheta, que eu sou pouco dada a conversas, especialmente de manhã.
O meu "monstrinho" foi entregue ontem. A próxima jogada já não me pertence. Estou optimista. Lá para Outubro saberei o resultado. Após a entrega fui para o Porto, gastar combustível e dinheiro e tomar um banho de consumismo. De vez em quando faz-me falta. Daí eu achar que seria incapaz de me adaptar à vida pacata diária duma zona mais rural, como aquela que visito aos fins-de-semana.
Sou definitivamente mulher de cidade.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

História longa e por concluir, roubada a mim própria

Capítulo 1

Era uma vez dois meninos muito amigos, o Zezinho e o Ricardinho. Andavam sempre juntos, nos intervalos da escola, ao final do dia antes de terem que se separar para ir cada um para sua casa, ao fim-de-semana e até durante alguns dias nas férias grandes de verão.
O Zezinho e o Ricardinho partilhavam o gosto pela leitura: trocavam revistas, livros juvenis, postais, catálogos das mais variadas áreas. E escreviam umas coisitas, também.
Ambos adoravam gastar dinheiro da sua mesada em caderninhos novos, com capas coloridas decoradas com desenhos de carros de corrida, computadores, super-heróis, bolas de futebol do benfica e do sporting e pranchas de surf da Billabong.
Era nestes caderninhos variados que o Zezinho e o Ricardinho jorravam as suas ideias mirabolantes, pouco conhecidas do resto do seu mundo. Eles não confiavam os seus dotes da escrita a qualquer fedelho que aparentasse ser seu amigo. E quanto às raparigas…nem vê-las. Elas faziam parte de um mundo à parte do seu, nem elas se interessavam por eles, nem eles queriam saber das miúdas parvas que só queriam saber da última moda. Não, senhor! Os seus devaneios eram apenas para eles os dois.
O Zezinho era organizado, limpinho na escrita, raramente borratava as linhas onde debitava os pensamentos que lhe voavam na mente. Podia dizer-se que brincava com as palavras como se sempre o tivésse feito desde o dia que nasceu. E só mesmo quando chegava à última página do seu caderninho do momento é que comprava o seguinte, nunca fugindo à regra das capas coloridas com imagens “à homem”. Já o Ricardinho era algo atabalhoado: escrevia em vários caderninhos em simultâneo, por vezes misturando os diversos devaneios nos vários cadernos. Sendo bastante imprevisível, nem ele próprio sabia o que ía escrever ou qual dos caderninhos seria o escolhido do dia. Contudo, revelava sempre uma pontinha de génio e uma imaginação delirante.
O Zezinho e o Ricardinho eram os leitores um do outro. E o sonho de ambos era, um dia, quando crescessem, escrever algo em conjunto, que fosse valorizado por muitos e talvez até ser publicado e conhecido mundialmente. A sua forte amizade era conhecida de todos os habitantes daquela pequena aldeia, que nunca duvidaram que tal parceria desse os seus frutos e um dia viessem a ter naquela aldeia remota dois vencedores de um qualquer prémio literário. Os velhotes da tasca situada ao lado da igreja gostavam imenso de cavaquear com estes dois catraios. E estes, por sua vez, adoravam ouvir os mais velhos, com quem se riam, aprendiam coisas giras sobre os dias de “no meu tempo…” e em quem por vezes se inspiravam para eles próprios escrevinharem algo nos seus caderninhos. Eles sabiam que tinham um longo caminho a percorrer, como as suas mães faziam questão de lhes lembrar amiúde: “Têm que comer muita sopa, peixinho cozido e grelos antes de conseguirem escrever alguma coisa de jeito e fazerem-se uns homenzinhos!”
Um dia, o Zezinho e o Ricardinho decidiram fazer uma promessa. Juraram um ao outro que metade do seu primeiro ordenado ganho limpa e arduamente seria colocado debaixo dos colchões das suas camas e que 25% do ordenado dos 10 meses seguintes teria o mesmo destino. E para quê, perguntam vocês? Só assim, pensavam eles, seriam capazes de comprar um computador já com ligação ADSL à Internet, onde pudessem escrever, publicar e partilhar com o resto do mundo as suas pérolas da escrita, sem estarem sujeitos às restrições impostas por editores, a “falhas técnicas imprevistas” ou mesmo à falta de papel e tinta. Só assim podiam eles ver o seu sonho concretizado.

Capítulo 2

O Zezinho e o Ricardinho continuaram grandes amigos ao longo da sua adolescência. Apesar do gosto comum na leitura recíproca e na escrita, eles eram dois cachopos bastante diferentes. Senão vejamos:
O Zezinho era um moço extremamente bem educado e refinado. Era também muito erudito, não fosse ele um escritor amador e em todas as circunstâncias escolhia as palavras a usar. Ele era uma daquelas pessoas que tinha nascido com o dom da palavra e auguravam-lhe um bom futuro, talvez como advogado de cidade ou até político. Contudo, o Zezinho nunca virava as costas a uma luta de punhos e nem a uma de palavras, seja por que motivo fosse. Estava-lhe no sangue não resistir a uma provocação, especialmente quando achava que tinha razão – o que acontecia sempre. E quantas vezes não se meteu ele em sarilhos à conta desta sua característica de guerreador. Muitas vezes, saiu vitorioso das suas batalhas de palavras. Menos vezes saiu vitorioso quando se tratava simplesmente de uma guerra de punhos. Muito olho negro e pisaduras nas canelas teve que tratar a sua mãezinha! Mas ele orgulhava-se de quem era, e dizia que nunca mudaria, só às portas da morte!
Já o Ricardinho era um puto bastante mais recatado. E mais multifacetado também. Apesar da grande amizade que o unia ao Zezinho, o Ricardinho tinha uma vida paralela totalmente desconhecida do amigo. E só com alguma ginástica de horários nocturnos é que o Ricardinho conseguia esconder esta faceta do seu grande amigo, que de burro nada tinha, mas quanto a isto andava mesmo a ver navios. Era à noite, já a altas horas, que o Ricardinho se dedicava à escrita de contos góticos. A maior parte bastante aterradores para o comum dos leitores e talvez deprimentes. Mas a ele dava-lhe um gozo tremendo ter poder sobre a Noite e sobre a Morte, sobre as figuras negras que escolhia para protagonistas dos seus enredos macabros.

Capítulo 3

Um dia, o Zezinho e o Ricardinho, algo saturados das mesmas companhias e das mesmas rotinas naquela aldeia remota dum qualquer país à beira do Atlântico, decidiram pregar uma partida aos velhotes, velhotas, amigos, amigas e seus familiares.
Simplesmente desapareceram, apenas com um dia de diferença. Não foi nada que planeassem às escondidas, aconteceu. Sem dizerem nada um ao outro, foi cada um para o seu lado.
De início, ninguém estranhou: já estavam acostumados aos súbitos desaparecimentos destes dois fedelhos e sabiam que eles voltariam a aparecer, habitualmente com novas aventuras para partilhar com os velhotes da tasca da aldeia. “Tudo invenções”, diziam estes, “…a estes falta-lhes um bom par de estaladas que é para ver se vão ao sítio”, diziam outros.
A verdade é que desta vez parecia ser diferente: nem sinal deles e já lá iam 6 dias. O suficiente para até os mais rezingões se começarem a preocupar com a ausência dos putos esquisitos que só queriam saber de papéis e historietas diabólicas. Teriam sido levados pelo vendaval da semana anterior? Teriam sido raptados por extra-terrestres? Teriam ido com o azeiteiro que passava na aldeia às 4ªs-feiras de manhã e que gostava de dar um doce às crianças que o rodeavam? Teriam resvalado pela falésia abaixo numa das suas passeatas sem destino? É que desta vez estavam todos às escuras, quanto a esta estranha “desaparição”, como lhe chamou o Padre Benjamim na última homília. Mistério…

Capítulo 4

Sem mais nem menos, sem nenhum sinal que os antecedesse ou fizesse prever a sua vinda, tanto o Zezinho como o Ricardinho voltaram a aparecer na aldeia que os tinha visto nascer. Disse quem apreciou a aproximação daqueles dois “estranhos” que eles não pareciam ser nada de confiança: o seu aspecto de vagabundos famintos, vestidos de negro da cabeça aos pés, a precisarem de levar com uma mangueirada pelo costelo abaixo, fez voltar muitas cabeças para trás. E de facto, ao princípio, ninguém os reconheceu. Estavam mais altos, mais espadaúdos. Um tinha deixado crescer o seu cabelo escuro e trazia-o atado num rabo-de-cavalo sebento, diga-se. A barba ainda rarefeita, espalhada aqui e acolá, já lhe dava um certo ar de rapazola gingão, de alguém que já apreciava prazeres terrenos. Estava magrito, notavam-se-lhe os maxilares salientes, bem como as mãos compridas, com dedos finos e unhas algo sujas e maltratadas. Já o outro parecia não ter crescido nem um centimetro; continuava o meia-leca do costume, mas com mais 15 quilos em cima, à vontade. As bochechas bem rechonchudas e vermelhas, sinal de saúde, não enganavam ninguém: por onde quer que ele tivesse andado, este rapaz tinha tratado muito bem de si próprio. Cabelo aparado, face barbeada, sorriso de orelha-a-orelha…bem diferente do rapazito introvertido de há uns tempos atrás. Traziam ambos sacos de viagem, bem recheados, com quê é que não se percebia.
E lá vinham os dois, estrada acima, pela única estrada que cortava a aldeia, numa alegre cavaqueira, a esbracejarem, com passos firmes, como se regressassem a casa num dia normal. Cumprimentaram amigavelmente quem os micava e sobre eles cochichava e dirijiram-se às suas casas, ambas situadas no final da ruela. E só assim é que os velhotes e as velhotas, sentados nos seus bancos de pedra, extensões das casas, com ar de embasbacados, de quem tinha visto fantasmas, finalmente reconheceram aqueles dois gaiatos que, do mesmo modo que desapareceram, repentinamente apareceram.

Capítulo 5 - analepse

O mistério adensava-se à medida que o tempo voava e nem sinal dos dois grandes amigos, do Zezinho e do Ricardinho. Nem os panfletos espalhados pelas aldeias vizinhas com as suas fotos e informação pessoal nem os apelos feitos do altar abaixo pelo Padre Benjamim deram quaisquer frutos. As buscas efectuadas pela polícia local foram inconclusivas, visto os rapazes terem desaparecido sem deixar rasto. O que quer que lhes tivesse acontecido iria para sempre ficar no segredo dos deuses e quaisquer suspeitas seriam puras especulações.
Pois assim pensavam as gentes da aldeia. Isto porque havia uma pessoa que sabia muito bem o que lhes tinha acontecido, para onde é que eles tinham ido, como foram e onde estavam naquele preciso momento. Na verdade, a padeira da aldeia era a única que tinha conhecimento dos planos dos dois mafarricos. Era na sua padaria, ao final da tarde, que por vezes os dois rapazes divagavam, versejavam, sonhavam e planeavam o seu futuro. Ora, esta senhora, Dª Antónia de sua graça, já entradota, mas muito vivaça, tinha um olho de lince e nada escapava aos seus ouvidos. Não se intrometia em assuntos de terceiros, mas retinha tudo o que lhe era permitido ouvir. E não foi preciso voltar muito atrás no tempo para juntar as peças todas do puzzle no que àqueles rapazes dizia respeito: eles estavam saturados das suas rotinas e ansiavam por aventuras, qualquer tipo de aventuras, qualquer coisa que os obrigasse a sair daquela aldeia decrepita e cheia de gente velha em idade e mentalidade. Desde sempre leitora acérrima de enredos policiais e detectivescos, foi quem os tinha ajudado a planear a grande fuga, a elaborar um plano tão perfeito que só com a sua ajuda explícita é que alguém seria capaz de deslindar todo este mistério. E só por um deslize de língua, cometido no confessionário, é que se descobriu a parceria.
A Dª Antónia descobriu igualmente que afinal o tal segredo da confissão, apregoado pelos crentes católicos, é um segredo exactamente igual a todos os outros: corre a sete ventos quando menos se convém.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Balanço: assim sim!

Preciso de uma pausa.

Após um dia muito bem passado na companhia de pessoas que continuo a gostar de conhecer e num local que um dia desejei ter para mim e para os meus, foquei, finalmente, por volta das 17:30 e até agora, toda a minha atenção e concentracção no "monstro" cujo prazo de entrega se aproxima a passos largos.
Sou perita, como muitas pessoas, em inventar desculpas que só servem para adiar o que tem de ser feito. A isto chama-se "procrastinação". O meu amigo Ness considera que esta é uma característica genética lusa. Eu concordo plenamente. Eu sou um exemplo típico.
Eu procrastinei durante as duas últimas semanas e o sentimento de culpa aumentava à medida que o tempo passava, apesar de me ter mantido ocupada, bem ocupada, considero eu, mas nem sempre profissionalmente ocupada.
Neste momento, sinto-me satisfeita com o que consegui produzir até agora, mais aliviada e menos culpada. Amanhã há mais do mesmo.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A IG tal como a conheço

A IG não escreve em nenhum blogue, com muita pena minha, pois eu seria uma das suas fiéis leitoras diárias. Se ela o quisesse, ela teria imensas histórias para partilhar. Se ela gostasse tanto disto como eu, desconfio que ela depressa se viciaria. Portanto quem me lê não poderá confirmar ou desmentir o que aqui partilho.

A IG é uma amiga real, colega de profissão, que conheci nos tempos de Coimbra, mas com quem não convivi nessa altura. Temos idades diferentes e entrámos no mesmo curso em anos diferentes. Os nossos caminhos cruzaram-se pouco ou mesmo nada nessa época. Reencontrei a IG anos mais tarde, numa escola de Braga e reconheci-a imediatamente. Ela não se lembrava de mim, eu lembrava-me dela. Foi giro recordarmos aqueles tempos, cada uma com as suas aventuras e experiências e amigos diferentes. Ela tinha sido bastante mais borguista do que eu, se exceptuar o meu último ano, altura em que ela já tinha terminado. Continuou mais borguista do que eu, vim a saber quando começámos a conviver diariamente.
A IG é uma mulher de peso, literalmente e não só. A IG faz-se notar pela sua verborreia, a sua quase constante boa disposição, a sua eloquência, o seu bom humor inteligente, corrosivo e por vezes ordinário, a sua voz possante, as suas gargalhadas estrondosas que se ouvem a milhas, a empatia que estabelece com as pessoas ao primeiro contacto, a sua capacidade de argumentação e de análise profunda dos problemas que se lhe deparam, o carinho que demonstra para com as pessoas de quem gosta, os seus pequenos gestos inesperados que surpreendem quando acontecem, as palavras certas ditas em momentos de tristeza, as palavras que nos desarmam e fazem corar em público. A IG é extrovertida, aventureira, enérgica, calorosa, opinativa, cautelosa, directa (para o bem e para o mal) e maluca q.b. No último grupo onde trabalhei com ela, ela foi a pessoa responsável pela compra dumas cuecas rendadas fio-dental vermelhas, posteriormente oferecidas como prenda de aniversário à coordenadora desse mesmo grupo. Momento de descontracção e gargalhadas interdito a homens!
A IG é uma profissional dedicada, incansável, criativa, cooperante, competente, amiga, ambiciosa, com capacidade de iniciativa, com características de líder, brincalhona, capaz de mover meio mundo para solucionar problemas dos outros. Raramente recusa ajuda aos colegas de profissão. Nunca me disse “não” a nada. Tem-me ajudado mais vezes do que eu a ela. Aliás, em tom de brincadeira que um dia destes se tornará realidade, tenho-lhe dito que recorrerei a ela para ser minha professora duma certa língua que já não pratico vai para 15 ou 16 anos. Ferrugem não me falta, ao contrário dela!
A IG teve um carro amarelo pequeno, agora tem um carro preto maior. O “amarelinho” era a sua marca aqui em Braga. O preto tornou-a mais discreta. Agora já não sabemos onde é que ela andou na noite de sábado passado. No seu carro pequeno cabiam 5 pessoas, neste cabem 5 pessoas, mas o gozo não é o mesmo. A IG tem um gato felpudo, gordo, mimado, caprichoso que adora. É o menino dos olhos dela. A IG preocupa-se com a minha tartaruga e dava-me um tiro se soubesse que ela tinha morrido à fome (não, rapariga, não aconteceu; a bicha está viva e come que nem um leão). A IG é sensível a questões de bichos e do meio-ambiente.
A IG tem mau feitio, que não deixa que transpareça perante quem não a conhece bem. O seu mau feitio revela-se mais nos seus maneirismos, nos seus gestos impacientes, do que propriamente na linguagem. Quem a conhece e vê a IG a aproximar-se sabe bem se ela está num dia mau ou num dia bom. As suas feições são transparentes para aqueles que convivem de perto com ela.
E é isto…ela se quiser que venha aqui acrescentar mais coisas. :P

Adenda (está na moda meter adendas aqui e acolá por tudo e por nada): Fiquei na dúvida se deveria disponiblizar o número de telefone, morada e foto da IG, mas depois eu seria responsável pelo resto da vida dela e não me apetece!

Há dias de formiguinha

Uma das coisas que sinto quando vou à varanda do meu 9ºandar localizado numa zona de prédios de habitação bastante densa é a de que eu sou apenas mais uma formiguinha pequena dentro duma pequena fracção dum casulo enorme, na companhia de outras formiguinhas pequenas como eu. Hoje, da minha fracção, o meu olhar voyeurista focou-se num formiguinho a tocar acordeão no 7ºandar do casulo em frente. Momento estranho, pois eu não associo acordeões a grandes cidades. De qualquer modo, pôs-me a pensar se do prédio em frente também me observam enquanto eu deambulo pela casa, às vezes em trajes menos decentes.

domingo, 10 de julho de 2011

Eu hoje acordei assim:

remelosa, com olheiras por ter dormido demais, lânguida. E agora vou ali tomar o pequeno-almoço enquanto os meus dois homens almoçam. E depois vou comprar almofadas girérrimas a condizer com o sofá que, neste momento, considero ter sido a melhor compra para esta casa dos últimos tempos!

E quem é a mulher que não gostaria que lhe cantassem ou dedicassem esta música, para mim das mais românticas e lamechas e doces e sentimentais, e...e ...e..., de todos os tempos?




sábado, 9 de julho de 2011

Já está!

O sofá novo, castanho escuro, suave ao toque, girérrimo, carérrimo, grandérrimo, confortabilérrimo, foférrimo, italianérrimo, chegou finalmente na quarta-feira passada, após algumas demoras e mentiras e desculpas e patatipatatá. Chegou dentro do horário previsto, mas por causa da impermeabilização, só me pude refastelar nele à noite. E que bem me soube esticar as pernas e o corpo todo e ter sempre um apoio por baixo de mim e ao meu lado. Agora que já o experimentámos convenientemente (if you know what I mean) e tendo resistido ao primeiro embate a dois, estou curiosa para ver quanto tempo demorará a aparecer a primeira nódoa ou mancha ou rasgão ou qualquer coisa do género. Lá que a sua largura e forma em "L" (espelhado) deu jeito para certas cambalhotas, deu!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Prefácio ao livro do GM

RESSALVA: Antes de tudo, nunca esquecer que tanto o título como o que se segue é puramente ficcional, obra da minha fértil imaginação e de certezinha absoluta que não corresponde à realidade. Posto isto e após ter dito a mesma coisa de três maneiras diferentes, que é para não haver interpretações estranhas nem apareçam boatos, aqui vai:
Ora bem, o gajo adiantou-se e concretizou uma ideia minha, saída em tom de brincadeira na caixa de comentários do rapaz. E como me elogiou e à miúda que eu tinha elogiado antes, acho que lhe fico a dever uma.
Não o conheço de lado nenhum a não ser destas andanças, mas a verdade é que, à semelhança do que acontece com muitos bloggers, também eu formei uma imagem dele. Imagem essa que descreverei em tom mais irónico e jocoso do que fiz em relação à Sahaisis. Isso é certinho!
O gajo é bem-parecido, gosta de se manter em forma, faz desporto, conduz um alto carro (sim, eu sei qual a marca do carro dele, roam-se de inveja), tem cães que adora, está na casa dos trinta e meio ou por aí, solteiro, casa própria, parece ter uma vida sociável agradável, não sei se tem namorada, mas eu diria que sim, a julgar pelos devaneios sentimentais e melancólicos que de vez em quando vai publicando (chatos como tudo, já agora, mas isso sou eu a dizer, que não gosto de poesia lamechas – e uma opinião é apenas isso), gosta de provocar o sexo oposto, tem plena consciência que o faz e adora a atenção que as suas leitoras lhe dedicam diariamente, é viajado, gaba-se de conhecer muitas culturas e assim vai formando a sua imagem aos nossos olhos (se calhar, só meus, vá…). Tem opiniões formadas sobre muita coisa e adora embirrar com a minha equipa de futebol, o Benfica, tanto quanto eu detesto os textos parciais dele sobre o assunto. Ele escreve bem, a maior parte das vezes, com princípio, meio e fim, tal como lhe foi ensinado na escola primária, com ideias claras, polémicas e tantas vezes concordantes com as minhas que até me irrita. Nem me dou ao trabalho de o comentar quando tal acontece. Dizer o mesmo para quê, ainda mais quando tenho que inserir aquelas letrinhas chatas e ver os meus comentários moderados. Haja paciência! Contudo, há quem diga que ele tem que rever algumas regras básicas de gramática do 1ºciclo. Pois, eu também acho que muitos de nós temos que fazer isso. E de vez em quando lá sai erro, ou gralha, ou qualquer coisa mal escrita. Acontece. Ele só disse que gosta de ser português, não que era uma gramática ambulante. Adiante…
Como já referi, o seu público é constituído por mulheres. E é mais para elas que ele escreve, com o objectivo de obter reacções. E obtém. E eu imagino-o a rir-se às gargalhadas quando lê certas coisas, sentadinho na cadeira da esplanada do Estoril, perninhas esticadas e costas a bronzearem enquanto finge que trabalha, mas na verdade está é a ver as vistas. É como eu, também me divirto a ler certos comentários, uns mais certeiros que outros.
Acho-o um privilegiado, tendo em conta a situação económica e social em que o nosso país se encontra. Acredito que soube aproveitar bem as oportunidades que lhe foram aparecendo. Acredito que seja uma pessoa bem formada, que tenha tido boa orientação parental enquanto jovem (sim, porque como diria um conhecido meu, ele vai a caminho de ser “um homem distinto”, velho, portanto…mas isso todos nós) e que agora, adulto, seja muito capaz de tomar decisões sensatas no que ao trabalho diz respeito, ao dele e dos outros que dele dependem. E pelos vistos são muitos, aqui e em África, pois ele até tem contactos telefónicos marroquinos, veja-se lá. É um privilegiado que faz por o ser, não pede que lhe façam favores e que trabalhem por ele. Não anda a bater às portas, faz-se à vida, digo eu!
Eu gosto dele, como blogger. De vez em quando trocamos umas impressões aqui e acolá sobre isto e aquilo e ele é sempre bem-educado comigo, apesar de andar sempre com o fogo no cú para ir para a sua esplanada mete-nojo. Desconfio que se o conhecesse pessoalmente, ele irritar-me-ia solenemente com o seu ar de queque lisboeta pedante e presunçoso (é aqui que ele vai pegar na pistola e dar-me um tiro). Hei-de continuar a lê-lo desde que ele não torne o seu cantinho um local exclusivamente poético.
E para terminar, repito que tudo isto é apenas a minha opinião sobre uma pessoa que não conheço na realidade. E espero que se ele publicar o tal livro que dizem que tem na forja (que eu duvido que tenha senão já nos teria dado pistas), este meu chorrilho de disparates seja o seu prefácio.




Estou tão contente, tão contente, tão contente

O tempo tem estado péssimo.
Na terça-feira passada esbanjei €21 no Euromilhões, pela primeira vez na vida. Não sairam os meus números.
Hoje até já chove e está um frio do caraças. Cheguei a casa com os pés molhados, pois calcei sandálias antes de sair.
A reunião, inicialmente agendada para as 9:30, mas posteriormente alterada para as 10 horas, afinal começou às 9:30 e eu cheguei atrasada, por não ter consultado a inbox institucional a tempo e horas.
Hoje, sou informada de que obtive a nota máxima numa acção de formação realizada em Outubro / Novembro passado. Fiquei tão abismada que ainda agora estou parva. Isto não significa nada para vós, e no meu contexto profissional, é apenas uma gota de água no que toca a progressão. Mas sabe-me tão bem!

Portanto, meus amigos, hoje vou acertar no Euromilhões, nem que seja no 2º prémio!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Banalidades locais...ou talvez discriminatórias

Estava mesmo agora ali na varanda a questionar-me sobre o seguinte: num raio de 50 metros da minha área residencial há 4 salões de cabeleireiras. As donas são duas portuguesas, uma brasileira e a outra, julgo que brasileira a julgar pelo seu aspecto físico, mas não tenho a certeza absoluta. Eu vou a um que pertence a uma dona portuguesa e é o que existe há, pelo menos 13 anos, que é o tempo que eu aqui vivo. Todos os outros têm 2 ou menos anos de existência. O que pertence à senhora cuja nacionalidade não é certa para mim é para um público específico: travestis e senhoras da noite. Os salões portugueses têm clientela certa e estão abertos no horário normal. O outro que pertence à senhora brasileira parece estar às moscas cada vez que por lá passo. Portanto, o que me pergunto é: qual vai fechar primeiro? É que nestes 13 anos a residir aqui já vi tantas portas a abrir e fechar, de outros negócios, que interrogo-me se esta zona é, efectivamente, boa para negócios ou apenas zona residêncial super-lotada!

A Sahaisis tal como eu a vejo

A Sahaisis escreve bem, suficientemente bem para me atrair todos os dias. E é baseado no que ela escreve que eu formei esta imagem dela e que só ela saberá ser realista ou apenas tolice minha.
A Sahaisis tem 25 anos, mas as suas palavras não são as de uma miúda estereotipada de 25 anos de hoje. Parece escrever como se fosse mais velha, mais vivida, mais experiente, mais sofrida. Parece, mas não é. Ela apenas escreve com sinceridade, com o coração nas mãos, com mestria, mas sem grandes malabarismos literários. Tal como eu gosto, tal como eu gostaria de escrever sobre o que me vai na alma.
A Sahaisis é profissional. De quê, não sei bem, ela nunca foi muito claro sobre o que faz exactamente. Gosta de me (nos) manter curiosos e, deste modo, preservar a sua vida real e a sua privacidade. Todo o cuidado é pouco na internet. Todos sabemos disto, mas nem todos agem em concordância. Sei que trabalha num hospital, a maior parte das vezes à noite. Atrevo-me a dizer que a Sahaisis é uma mulher da noite. E é à noite que ela vive mais intensamente, parece-me. A Sahaisis é uma profissional da noite que põe mãos à obra quando é necessário, não espera por decisões de terceiros que poderão chegar tardiamente. Possivelmente, eu não me importaria de a ter ao meu lado, no seu contexto profissional. No entanto, espero que tal nunca me venha a acontecer. A Sahaisis faz-me lembrar o House por causa do mau feitio que caracteriza ambos. Ela é bastante mais humana e afectuosa. Inquestionavelmente!
A Sahaisis é uma mulher rechonchuda, alta, de certeza mais alta do que eu, que gosta de sapatos de saltos altos, que a mim causariam desconforto e quiçá alguma queda vertiginosa. A Sahaisis tem cabelo comprido, castanho-escuro, liso e olhos castanhos. Olhos que eu desconfio serem letais para quem a olha em momentos de grande tensão, em momentos de seriedade, em momentos em que é necessário ser séria e responsável. A Sahaisis usa vestidos velhos e horrorosos e não tem vergonha de os mostrar. A Sahaisis é determinada quando decide mudar algum aspecto da sua vida. Basta ela querer.
A Sahaisis tem mau feitio, mas não acho que consiga ser tão antipática quanto ela pensa ser. A Sahaisis não manda recados por ninguém. Di-los na cara quando tem que ser assertiva. A Sahaisis comunica bem, é genuína, brutalmente honesta, para o bem e o mal. A Sahaisis sabe rir-se dela própria. A Sahaisis é uma pessoa saudável. Apesar dos quilos a mais que ela diz que tem. Aposto que lhe ficam bem! A Sahaisis pode aparentar ser carrancuda, mas desconfio que lhe passa rápido.
A Sahaisis gosta do Pedrinho. Eu gosto do Pedrinho porque ele gosta da Sahaisis. Eu gosto da Sahaisis, também porque ela gosta do Pedrinho. Eu gosto das histórias rocambolescas que se passam com o Pedrinho. Ela vai beijar ou ser beijada pelo Pedrinho um dia destes. E aí as nossas histórias acabam. E eu vou lamentar. E desejar que ela e o Pedrinho sejam felizes, nem que seja por uma noite, um dia, dois. Ela merece. E se calhar, ele também.
A Sahaisis tem medo. A Sahaisis tem medo de falhar profissionalmente, de desiludir os seus doentes. Eu tenho confiança no trabalho que ela faz, seja ele qual for. Ela inspira confiança e espelha segurança, digo eu, que não a conheço. A Sahaisis tem medo de ficar com o coração mais pequenino caso se lance à aventura com o Pedrinho. Lança-te, rapariga! Vive o momento presente, esquece o passado e não penses no futuro. Repete “Carpe Diem” todos os dias!
Citando-a: “E é isto…”

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ai que saudades!

Tenho-o comigo 365 dias, mais um nos anos bissextos. Chateamo-nos, arreliamo-nos, picamo-nos, teimamos, não damos o braço a torcer facilmente, cansamo-nos mutuamente, berramos, jogamos ao "braço de ferro" psicológico....

Hoje, primeiro dia sem ele desde que existe, e não consigo deixar de pensar nele. E estou cheínha de saudades. E de lhe dar palmadas no rabo, e beijinhos, e depenicar-lhe as bochechas e de o chatear e dele me chatear...

Go figure!