quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O olho

- Sua puta! Onde está o dinheiro? Vais fazer-te de difícil, como é costume? Levas no focinho...
...

Não ouviu a voz que lhe respondeu, voz habitualmente monótona e cansada da vida. Ouviu uma porta a bater. Pé ante pé, em meias, dirijiu-se à porta e espreitou pelo olho. Viu-a de costas, de casaco de fazenda bege, a descer as escadas. O som dos seus passos rápidos ia esmorecendo. Imaginou que ela já tivesse chegado à entrada do prédio de 3 andares.

- Bem - pensou - finalmente voltaste-lhe as costas e bates com a porta. Onde vais agora?

Rapidamente foi à janela, a ver se a via a sair. E lá estava ela, já do outro lado da rua, de passinhos curtos e apressados, com pose decidida, sem nunca ter olhado para cima. Deixou de a ver quando dobrou a esquina do prédio da frente. Alguma vez mais a veria? Aquele olho da porta já tinha bisbilhotado tantas entradas e saídas...


Tá de chuva

E isso chateia-me, pois chateia; pois o cabelo fica a parecer a juba duma leoa com ele, o pelo, encarapinhado! Mania!