quinta-feira, 21 de julho de 2011

Advogada tripeira e portista que pinta o cabelo de azul


Alguém ainda se lembra da Robina, uma das dinossauras da blogosfera de há 5 ou 6 anos ? Vão lá visitá-la e vão ver se o que se segue é ou não é, TAMBÉM, a cara da desaparecida.

Pois foi dela que me lembrei quando comecei a acompanhar o blogue da menina Julie D’aiglemont. Confesso que, a princípio, aquele nick francês pseudo-aristocrático não me impressionou por aí além. Bem pelo contrário, fez-me pensar que por detrás dele estaria uma miúda dada a intelectualismos balofos nostálgicos com saudades do utópico comunismo. Vai-se a ver e a rapariga até gosta do Paulinho das feiras e eu estava completamente errada acerca da menina Julie, que me faz dar umas gargalhadas valentes quase todos os dias!

Posto isto, vou perder tempo a escrever sobre a menina Julie. Sim, porque há quem ache que escrever por gosto e escrever sobre outros que nem sequer conheço é perder tempo. A mim dá-me um gozo do caneco escrever de rajada estes textos longos sobre pessoas que nunca vi mais gordas na vida. Imaginar o seu dia-a-dia, descrever os seus hábitos, as suas falhas, se serão gordas, magras, ruivas, pretas, com unhas azuis ou músculos prestes a explodir …é apenas um exercício de escrita. Nada mais! Só a pessoa dissecada saberá se o meu exercício corresponde à realidade ou se é pura tolice da minha mente ociosa.

A menina Julie é dona dum sentido de humor mordaz, duma ironia macabra, duma capacidade de rir das coisas mais estúpidas e mórbidas que o ser humano origina, dum talento anormal de ver graça onde eu só vejo desgraças. Eu imagino que a menina Julie seja uma pessoa de riso fácil, se calhar demasiado fácil em circunstâncias que exigem seriedade. Eu imagino a menina Julie atrás da sua secretária de trabalho, a atender um cliente no escritório de advogadas e advogado (coitado) onde trabalha, tentando manter o seu ar sério e respeitoso, mas mortinha que o homem saia para que ela possa finalmente rebolar-se no chão e rir a bandeiras despregadas, de qualquer coisa que o pobre homem tenha dito ou da gravata horrorosa manchada de gordura que ele usava. Às vezes, a menina Julie consegue ser mazinha, não maléfica, mas ao mesmo tempo põe o dedo na ferida, naquelas feridas sociais que muitos preferem eufemizar ou até não verbalizar. A menina Julie deve ter uma bolsa de contactos extra-profissionais enorme, pois são eles que por vezes lhe fornecem o seu material humorístico. Mas há que lhe dar crédito, à menina Julie, pois também ela consegue encontrar, não se sabe como, verdadeiras pérolas que generosamente partilha com os seus leitores. Pérolas de mau gosto, ordinarices, injustiças, textos e imagens pouco ou nada correctos, alvos de crítica fácil…que ela consegue transformar, com os seus comentários certeiros, em momentos de puro prazer humorístico.

Eu imagino a menina Julie na casa dos 30, acima dos 35, na verdade (se tiveres menos, menina Julie, podes sempre ripostar). Nem magra nem gorda, mas sempre elegante nos seus saltos de profissional do Direito, área laboral que destoa da tatuagem que exibe orgulhosamente no ombro direito. Mas afinal quem é que disse ou onde é que está escrito que as advogadas têm que se apresentar sem apêndices corporais? Ora, ora! Um pouco de rebeldia nunca fez mal a ninguém e ela é rebelde que baste. Li há pouco tempo que gosta de pintar o cabelo de azul em período de férias, mas que tem o bom senso de o colorir quando recomeça os seus afazeres profissionais. Não lhe gabo o mau gosto. Azul?? Porra, ser do FCP já não é defeito que chegue?? Usar uma cor tão celestial para dar largas ao seu direito de liberdade de escolha é meio caminho andado para que ela vá direitinha ao reino de belzebú, onde me irá encontrar e ao resto da malta. É certinho! Sempre pronta a exceder-se no que toca a partilhar disparates sinistros que a fazem rir e aos outros. De convencional pouco tem. Veja-se a lista de progenitores e familiares que a menina Julie apresenta ao lado dos seus “posts”. Sim, clickem nas imagens, se é que ainda não o fizeram…um melhor do que o outro!

Eu imagino os finais de dia daquele escritório de advocacia, chamado Pro Rata, onde reinam três mulheres e um homem (coitado): cada uma mais maluca do que a outra, quando chega a hora de asneirar, mas responsáveis e sérias quando necessário, pois só assim poderia haver compatibilidade pessoal e profissional entre os quatro.

Se tivesse que escolher uma personagem literária para ser encarnada pela menina Julie, ela seria um João da Ega de saias! E para aqueles que não sabem de quem eu falo, eu sugiro uma leitura levezinha para as férias de Verão. E bastante actual!