sexta-feira, 15 de abril de 2011

Da vagina como meio de envenenamento

Sabia dos muitos usos que a dita cuja pode ter, mas este é o mais original, quanto a mim. Só me questiono: se era tóxico para ele, não o seria para ela antes?

(A fonte do disparate é a mesma de sempre, que eu não quero ficar com créditos alheios :P)

Excelente questão

Porque é que cantar no duche é um acto universal?

Um Conto (que estava) perdido

“Mas que raio?” – pensou ela. O que é que elas queriam agora, a meio da noite? Tantas portas a bater, tantos ferrolhos a correr para trás e para a frente, tantos sons metálicos quase ininterruptos…seria mais uma revista às celas? Esta semana já tinham passado por duas destas, sempre a horas indecentes da madrugada. Mesmo quem está por detrás de grades ainda tem direito a descanso, não? Já se tinha habituado ao ram-ram diário da casa, mas nunca o conseguiria em relação a estas visitas inesperadas a meio da noite. Quando aconteciam, remetiam-na quase sempre para a noite fatídica em que acidentalmente assassinou o companheiro da sua vida e o seu único homem até à data.
Na cama, sozinha, ao contrário do que era hábito entre o casal, e já com um olho lá e outro cá, começou a ouvir passos tímidos na neve que abundava lá fora. A casa estava relativamente isolada do resto da vila, mas sabia que se houvesse algum contratempo, podia sempre contactar o merceeiro, o Sr. Joaquim, que pouco dormia e passava as noites com papéis à frente, e que em poucos minutos conseguiria ali chegar no seu tractor.
Sabia que não podia ser ele. Ele tinha saído no domingo anterior e regressaria dentro de três dias, com a mala cheia de roupa suja, a cabeça vazia de ideias obscuras e a carteira recheada. E que necessitados estavam, que a época não era de vacas gordas. Qualquer trabalhito era aceitável, até a apanha de tomates no país vizinho!
Não é que fosse destemida, mas estranhou aquele arrastar certinho àquelas horas, numa noite tão gélida de Fevereiro. Saiu do quarto já com o ritmo cardíaco acelerado e a pensar se deveria pegar em algo, como arma de defesa. Se o pensou, também o fez e o objecto escolhido foi somente o cutelo que estava mesmo à mão, ali à porta da cozinha, e cuja pega ela ouvia a ser forçada e empurrada. “Quem quer que fosse, não ia entrar e sair ileso”- pensou ela. Já tinha visto este filme, quando era miúda e vivia apenas com a mãe que , corajosamente, e à custa de um esquema engenhoso de panelas estrategicamente penduradas e amontoadas por trás da porta das traseiras da casa, conseguiu evitar um assalto quando o ladrão arrombou com um simples pontapé as frágeis tábuas que as separavam do exterior. Tal foi o estardalhaço causado por tachos e panelas a cair que o indivíduo deve-se ter arrependido e voltou atrás nos seus planos. Hoje, ela não tinha panelas, mas aquela faca de lâmina longa e larga iria servir em caso de necessidade. E houve, pois a pessoa facilmente abriu a porta, sem estragos. Ela conseguiu vislumbrar um vulto que lhe pareceu masculino. Sem pensar duas vezes, e tendo a claridade nocturna por trás “dele”, arremessou-lhe com o cutelo, que o atingiu em cheio no peito. O grito deixou-a estupefacta. A voz era-lhe bem conhecida…