quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Holanda e holandeses

Uma das minhas viagens de sonho tem como destino a Holanda. Não sei precisar há quanto tempo ando a sonhar com umas férias no país das tulipas e dos moinhos, mas não passa um verão sem que eu toque neste assunto e se diga cá em casa "p'ró ano é que é".
O único holandês que conheço - que conheci em terras irlandesas quando andava por lá a apanhar chuva diariamente e a ouvir helicópteros a zunir nos céus de Belfast - veio ao meu casamento de bicicleta, e durante alguns anos, após a experiência irlandesa, mantivemos contacto através de cartas e postais enviados com alguma regularidade. Foi numa dessas cartas que o convidei para um casamento português. E ele lá apareceu à minha porta, na véspera, com roupa de ciclista e uma bicla bem original. Há fotografias deste momento algures na outra casa.
Enquanto eu andava a praticar o meu inglês em terras de Sua Majestade, a minha grande amiga de infãncia estava também a passar uma temporada numa universidade holandesa também à conta dum tal de Erasmus, e de lá mandava-me cartas e postais magníficos. Quando regressou de vez, no natal desse mesmo ano, ofereceu-me umas socas em miniatura que ainda guardo com muito carinho no meu quarto de menina em casa dos papás.

Mas adiante...

A minha simpatia por este país e seus habitantes tem bastante a ver com o facto de o ter conhecido, e daí ter formado uma ideia dos holandeses que até pode nem corresponder à verdade: afáveis, alegres, comunicativos, cultos, algo espalhafatosos, aventureiros, hospitaleiros, práticos, muito giros e giras, apesar de loiros e loiras (nada contra a espécie, mas não fazem o meu género)...pessoas bonitas por dentro e por fora.
Do país propriamente dito, formei a ideia duma paisagem essencialmente campestre, à excepção das "grandes cidades", muito verde, muito plana, muito colorida, muito fácil de conhecer quer de carro quer de bicicleta. Se calhar, esta é uma visão demasiado romântica, mas aqueles moinhos não me saem da cabeça.
Há na minha família e estreito círculo de amigos pessoas que me olham de lado quando lhes digo que não hei-de morrer sem ir à Holanda e a Amsterdão. Devem pensar que quero fumar umas brocas ou apenas ver montras. Ora bem, não só, mas também, confesso...

Se já lá foram (viagens virtuais na net não contam :P), contem-me como foi, sim?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Aposta a longo prazo

Ontem li algures que a equipa ministerial da educação deseja que os alunos de 9ºano tenham 100% de sucesso. Vai uma aposta em como estes mesmos alunos, que hão-de atingir este valor mítico, sem qualquer dúvida, não vão sequer saber fazer uma simples conta de dividir? É que ter sucesso (agora pergunto eu se ter sucesso é ter 3 a todas as disciplinas) até requer algum trabalho, alguma vontade de estudar e investigar, mas o ministério anda algo esquecido disto no que diz respeito a um grande número de discentes.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Actualização

O Mexilhão Irrequieto Cabecinha de Fora, ex-Timóteo, e o Preguiçoso Soneca Cabecinha de Fora, ex-Alex, lá continuam na sua tartarugueira, a habituarem-se, cada um ao seu ritmo, ao novo dono e às traquinices que este lhes decide fazer, como por exemplo, pôr a mão lá dentro e agitar as águas, gesto quase sempre seguido dum grito estridente da mãe do dono e duma ameaça em transferir as ditas cujas para outra habitação mais remota e onde ele não lhes poria a vista em cima diariamente.
O meu miúdo anda numa de ouvir Scorpions e a Berliner Philarmonic Orchestra durante as viagens de carro, sejam estas de curta duração (casa-escola-casa), sejam as de fim-de-semana. E lá vai cantando em Inglês, com uma pronúncia estranhíssima o "here I am, rock you like a hurricane", enquanto gesticula a imitar ou o baterista ou o gajo da guitarra eléctrica.
Enquanto ele não me pedir para trazer o CD para ouvir em casa, a vida das tartarugas está segura.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Recém-comprados

O Timóteo e o Alex fazem parte da nossa família desde ontem.

Depois das experiências falhadas com os peixes, das sucessivas compras de peixinhos tipo "Nemo" para substituir os que iam morrendo (imaginem só que o Manel até teve direito a funeral marítimo), decidimos fazer a vontade ao meia-leca e comprar-lhe, não uma, mas sim duas tartarugas que, ainda na loja, já tinham sido baptizadas. Eu não sei qual delas é quem, nem o meia-leca sabe, mas que ele anda muito entusiasmado com os seus animais domésticos, anda. Tão entusiasmado a ponto de me pôr os cabelos em pé cada vez que põe a mão na tartarugueira para "ajudar o Timóteo a subir para a rampa". E porque é que fico com os cabelos em pé? Porque estes bichos assustam-se mal uma alma penada se aproxima da sua "casa", quanto mais verem uma mão "gigantesca" a querer mexer nelas.

Ou seja, continua a não haver descanso nesta casa.

O meia-leca já foi avisando que, se estes bichos morrerem, o próximo a chegar será um papagaio. Dúvido muito que ele tenha razão, mas aguardam-se cenas do próximo capítulo da saga dos animais.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Fernando Pessoa "revisited"

Ai que prazer
Não postar diariamente
Ter um blog para manter
E não o fazer.
Publicar torna-se monótono
Partilhar on-line é quase nada.
O sol doira sem blogosfera
O rio corre bem ou mal,
Sem edição original e pessoal.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
Como tem tempo, não tem pressa.
Blogs são páginas virtuais
Cheias de bits e bytes
Partilhar é uma coisa em que está distinta
A diferença entre “o meu” e “o nosso”.
Quanto melhor é quando há clicks
Esperar por O Comentário,
Quer venha ou não.
Grande é a escrita, a emoção e os comentários ziguezagueantes
Mas o melhor da Internet é o mundo aos nossos dedos
Imagem, música, cores e as palavras
Que nos atingem
Só quando, em vez de aquecerem, magoam.
E mais do que isto
É Jesus Cristo
Que não sabia nada de computação
Nem consta que tivesse Internet.
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O original é de Fernando Pessoa, como é sabido, e pode encontrar-se aqui.
(para quem já leu isto noutro lado qualquer: é a vida e a falta de vontade )

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Teoria avassaladoramente brilhante...

...que passo a explicar:

Sabem estes gajos (ou gajas) que passaram os meses de Julho e Agosto a assaltar tudo e todos? Pois eu cá acho que o que os levou a realizar tais actos não tem nada a ver com carências económicas e sociais, dificuldades de integração, mau carácter, tempo livre a mais, a falta de algo excitante nas suas vidas, o desejo de brincarem aos polícias e ladrões, etc. Nada disto! É pura e simplesmente uma questão de atenção: estas pessoas sofrem de um grave défice de atenção (é sempre giro dizer isto, não é? dá um ar de quem sabe do que fala), e daí desejarem ser vistos e lidos na comunicação social. Tem tudo a ver com os tais 10 minutos de fama que todos nós desejamos. Uns vão ao Preço Certo, outros envergonham-se perante um miúdo de 10 anos que sabe mais do que eles, outros andam encapuzados a contribuir para as estatísticas do estado português. O que acham? Estou certa ou não?