quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Isto é o que se chama "não saber o que fazer ao dinheiro"

Consigo pensar em mil e uma maneiras de gastar bem gasto, na área da Educação, 25 000 Euros. Ora, esta é a quantia que o meu patrão ministerial pretende dar ao docente considerado "O Melhor Docente do Ano" (o título é meu) e que tenha contribuído "para o sucesso educativo e a integração dos alunos." Tal como a Ministra afirma, "pretendemos identificar, reconhecer e premiar a excelência", através de critérios como o "desenvolvimento do ensino experimental (será que isto referir-se-á à TLEBS, tão contestada ultimamente?) e da criatividade, a diminuição do insucesso e abandono escolares, a colaboração com os pais para a inclusão de alunos que se encontrem numa situação social problemática e a contribuição para a melhoria de funcionamento da escola".
A notícia, não sendo nova, é apenas mais uma das medidas geniais desta senhora, que quanto a mim, será sempre injusta. Não há apenas UM professor excelente neste país. Há muitos que o são, há muitos que não são tão excelentes, há muitos que são razoáveis e há muitos que são mesmo muito maus. Não vejo necessidade de atribuir este Prémio Nacional de Professores como prémio de mérito. Quem gosta do que faz, também o faz pelo dinheiro. Mas acima de tudo, demonstra todos os dias, perante o seu público-alvo, o gosto pela profissão: na sua relação com os alunos, na transmissão e troca de conhecimentos, na receptividade demonstrada às ideias e projectos dos catraios, na assiduidade, na participação em projectos escolares, etc, etc, etc. Nunca irá sentir-se condicionado e aliciado na sua conduta por um prémio bastante avultado, atribuído anualmente, que seria melhor empregue, por exemplo, na reparação de instalações escolares ou no fornecimento de refeições / lanches em escolas onde tal ainda ou não acontece. A escolha final do júri nunca será isenta, visto não ter observado in loco o trabalho diário do premiado. A sua escolha basear-se-á na leitura e análise de candidaturas emitidas por terceiros. Candidaturas essas que, quanto a mim, só virão demonstrar o grau de compadrio e amizade íntima eventualmente existentes entre os candidatos e quem os candidata.
E por aqui termino. Como alguém diria, já estou "farta disto".