sexta-feira, 19 de maio de 2006

Episódio balnear - ficção ou realidade?

" 5 da tarde!Tava eu na praia, deitada sobre a areia a apanhar um belo banho de sol no meu sossego, quando um ritmo sem nexo de uma batida forte de caos e tormento, começou-me a meter raiva! Passei-me! Levantei-me, e a toda a velocidade fui ter com as bestas e quando cheguei perto disse:

-'' Oiçam lá seus chatos! Isso é música?? Essa miscelânea de dislexia sonora que vocês pensam que está na actualidade, alto para toda a gente ouvir sem qualquer racionalidade.... Eh pá !! Já tou farta de ouvir essa merda alta!! Ou põem isso baixinho mas é, ou então isto vai dar confusão, que eu começo já a distribuir embrulhos ....''


-'' Mas a gente...''


-'' Caluda!! Não quero cá conversas! Mas tu pensas que me dás aulas, é??? Olha que eu dou-vos o arroz!! Ponho-vos num estado tal de precariedade, que depois para arranjarem dentes novos vão ter de ser de betão e cimento!! Tás-me a ouvir?? Alguém tem dúvidas?? Caladinhos. Que isto não seja rotina"


-'' Mas ...''


-''XIU!! PÁ! Tu vé lá o que dizes! Não quero cá desconhecimento do que foi esclarecido ainda agora!! Olha que eu ainda me passo, pá .. fico numa tal luminosidade e temperatura que até cheiro a alcatrão! Tu vé lá, pá! Olha que ainda te ponho todo amarelo! Eu dou-vos o fado e a saudade.. Aaaaiii .. dou dou! Ponho-te essa cabeça num estaleiro de construções... acaba-se logo a curiosidade e pronto , reticências. Que este episódio não volte a continuar, senão ... bem! Vamos lá a ver!''


Dito isto , lá voltou a Pseudo para a sua toalha, deixando os putos todos mijados nos seus calções de banho"



(Composição elaborada por um ribatejano alfacinha, à revelia da autora deste blog. O Manel conseguiu encadear e construir um texto, que poderia muito bem descrever uma situação acontecida comigo, com quase todas, senão todas, as palavras por mim "vomitadas" há 4 ou 5 posts atrás)

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Manel, antes de perceber o que realmente isto era já eu estava a rir-me a bandeiras despregadas e a pensar com os meus botões "eh pah, isto parece que sou eu na praia e tudo" ...lol...está muito bem apanhado, sim senhor. Parabéns, amigo, e obrigada! Não é qualquer uma que se pode gabar de ter "escravos letrados" a escrever por ela :P

Faz-me uma certa confusão...

...os estudantes universitários, em ínicio ou final de "carreira", terem viatura própria.
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Vem isto a propósito da seguinte frase proferida por um amigo meu, de 27 anos, futuro engenheiro: "não me misturo com o zé povinho em autocarros cheios a cheirar a esforço!"
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Quando eu lá andei, quem tinha carro pertencia ainda a uma minoria já em fase de crescimento. Inundavam qualquer espacinho vazio com os seus citroens, fiats, audis e afins: passeios, traços amarelos, estacionamento legal. Tudo! E já na altura Coimbra não era uma cidade que primava pela abundância de tais lugares preciosos. Já na altura perguntava-me eu como é que os papás conseguiam suportar as despesas inerentes a uma viatura. Tinham mesmo que ser bastante abonados. Coisa que os meus nunca foram. E como tal, eu estava sujeita a comboios, a boleias e a autocarros. E sujeita também às conversas alheias, aos cheiros nauseabundos por vezes, às bocas dos militares que também regressavam a casa para um fim-de-semana curtíssimo, aos apertos, às enchentes e às famosas greves nas horas de ponta.
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(Episódio caricato assistido por esse meu amigo:
no meio do aperto habitual do autocarro em hora de ponta, grita uma senhora indignada com o que aparentemente lhe tinham feito:" o senhor esta-me a apalpar???"-"quem euuuu???"diz o sujeito "Sim o senhor, quem havia de ser!!!" "eu a apalpa-la???oh minha senhora se eu estou a apalpa-la vê-se mm que nunca foi apalpada!!!")
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Claro que é desagradável, claro que é preferível não termos que passar por situações incómodas, claro que é óptimo sairmos à hora que queremos, com quem queremos, a ouvir a nossa musiquinha.
Contudo, ser universitária/o - defendo eu - é também passar por experiências de vida desagradáveis como as acima referidas. É fazer sacrifícios, é planear bem o seu dia, é fazer contas à vida e ao dinheiro dos papás e geri-lo com cabecinha. Ser universitária/o não é só apanhar bebedeiras a torto e a direito, não é só sair até às 5 da manhã, não é só passar noites sem dormir na conversa com os amigos, não é só estudar as matérias debitadas em aulas cujo objectivo era, em muitos casos, cumprir calendário. Ser universitária/o é aprendermos a desenrascarmo-nos na vida, perante imprevistos; é não nos deixarmos acomodar aos confortos que os papás até nos podem proporcionar; é estarmos sujeitos aos horários da cidade que nos acolhe; é aprender e respeitar quem, ao contrário de muita gentinha pseudo-riquinha, não ostenta riqueza que não tem; é misturarmo-nos com os locais; aprender com eles, ouvi-los, criar laços...e muito, muito mais.
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Se um dia o meu filhote chegar a esta etapa da vida, espero recordar-me do que acabei de escrever.