terça-feira, 19 de julho de 2011

E vocês? Também caminham?

Teste de Dependência da Internet



Pontuação: 42
Resultado: Você é um utilizador médio. Por vezes poderá até navegar na Internet um pouco demais, no entanto, tem controlo sobre a sua utilização.

Tá bem. Agora vou ali dar uma caminhada após o jantar, a segunda em toda a minha vida de quase 39 anos.

Assunto sério e o AO de 1990

Acabei de ler algures alguém a chamar-me fundamentalista. Pois, se calhar até sou... (GM, a partir daqui já não te interessa :P)
Eu sou daquele tipo de pessoas que resiste muito à maior parte das mudanças que afectarão a vida pessoal e profissional. Leio, oiço, aprofundo, comento, torço o nariz, digo mal, reconheço vantagens...mas quando chega a hora H, lá está a maldita resistência a pesar mais do que a mudança. Umas vezes ganha, outras vezes perde. Neste caso, eu sei que a minha resistência vai perder, pois serei obrigada a ensinar em conformidade com o acordado há muito tempo. No meu contexto profissional impõe-se, a partir de Setembro de 2011, o ensino da mudança da grafia da Língua Portuguesa, de modo a uniformizar o que ficou acordado há 21 anos!!! Pois, o Acordo Ortográfico foi assinado há mais de duas décadas e só na segunda década do século XXI é que efectivamente se implanta. E eu continuo a perguntar: para quê? Há de facto mudanças que não me desagradam, mas há outras que são uma aberração.

Alguns reparos, feitos por terceiros, mas só hoje é que me apeteceu escrevê-los no "papel":
  1. 21 anos para mudar formalmente a grafia de uma língua parece-me demasiado tempo;
  2. As mudanças linguísticas não devem, quanto a mim, acontecer por decreto, mas sim porque a língua é usada por milhões de pessoas;
  3. Se até agora portugueses, brasileiros e falantes dos PALOPs sempre se entenderam, porquê a necessidade de uniformizar apenas a grafia? Continuamos a pronunciar de maneiras diferentes mas passamos a  escrever alguns vocábulos da mesma maneira. Incoerente...
  4. Mudam algumas palavras para os brasileiros, mudam muitas palavras para os portugueses, algumas escrevem-se de duas maneiras para ambos. Confusão!
  5. Todas as mudanças são uma questão de hábito, mas esta mudança vai chocar com aprendizagens feitas ao longo da vida, de muitas vidas. Muitas vidas que terão que re-aprender a escrever se quiserem manter-se correctos - eu incluída!
  6. ...
Exemplos estranhos:

  1. Continuamos a escrever "egípcios", apesar de desaparecer o "p" de "Egito"
  2. Eliminar o hífen do verbo "haver", quando conjugado no presente do indicativo (Eu hei de, tu hás de, ele há de) - pergunto: porque é que não se escreve então "Eu heide, tu hásde, ele háde"?
  3. A palavra "co-ocorrência" passa a escrever-se sem hífen: coocorrência. Visualmente esquisito, não?...
  4. O uso de maiúscula e minúscula é facultativo no que concerne a disciplinas escolares (língua portuguesa, Língua Portuguesa). Porra, decidam-se!
  5. O que diria o falecido Eça se visse o seu título "O crime do padre Amaro" escrito com iniciais minúsculas e maiúsculas?
  6. O verbo "parar" já não terá acento agudo na frase "Para para pensar, puto!".
E assim, muito superficialmente, me insurjo contra a implementação do AO, apesar de ter que a fazer com os meus catraios. E eu que nem sequer sou professora da língua afectada! Mas que vai ser confuso, vai!