domingo, 15 de outubro de 2006

A minha avó...

...Dª Maria Elisa para os conhecidos, vizinhos e "malta da sueca", tem hoje 74 anos. (eu tenho 34, agora façam as contas e analisem a precocidade das mulheres desta família...enfim, sem mais comentários).
Ela é uma daquelas tais senhoras a quem a viuvez fez rejuvenescer: viúva há quase 20 anos, depois que o meu avô faleceu conseguiu construir uma casinha muito jeitosinha, com jardim e horta que orgulhosamente exibe a quem lá vai visitá-la, e donde eu, muitas vezes, aproveito produtos hortícolas cada vez que vou "fazer turismo rural à terrinha". Já viajou p'ró estrangeiro e sempre para países diferentes mais vezes do que a neta mais velha (eu). Venceu a guerra contra o cancro do pulmão, apesar de já há muitos anos viver e respirar apenas com um. Há 4 ou 5 anos que é uma das "velhotas" que diariamente se apresenta no Centro de Dia lá da terrinha, para o qual contribui com trabalhos manuais de crochet, com a sua boa disposição e capacidade de entretenimento (eu, neta, vejo nela outras características, mas isso fica para outro dia). No ano passado e integrada num grupo cujo objectivo era praticar desporto, inscreveu-se em aulas de natação que ainda hoje frequenta, uma vez por semana. Também no ano passado decidiu inscrever--se em "aulas de computadores". Não conseguem imaginar a felicidade estampada na cara dela quando relatou à restante família o feito de ter conseguido escrever num computador a frase "Hoje eu fui comprar pão", sem ter esquecido o espaço entre as palavras e o "til" no ditongo. Foi um verdadeiro choque tecnológico, tão defendido pelo nosso Primeiro Ministro. Ainda está aí para as curvas e é extremamente vaidosa. Diz detestar engordar e tem imensos cuidados com o que come - por motivos de saúde, diz ela ("também mas não só", digo eu). Acredito que, se lhe aparecesse algum pretendente pela frente, a Dª Maria Elisa ainda seria capaz de enfrentar esta desafio, apesar de ter afirmado centenas de vezes que "depois do teu avô, não quero mais saber de homens para nada". Quando começa a primavera e as noites são menos frias, ela e alguns vizinhos juntam-se nas casas uns dos outros para jogar às cartas, actividade que levam mesmo a peito e ai de quem fizer batota!
É uma avó moderna numas coisas, mas bastante chata noutras, admito. E nada de a contrariar, que ela gosta de ser a última pessoa a ter a palavra. (Pois, é ela e eu!)