quarta-feira, 6 de julho de 2011

Banalidades locais...ou talvez discriminatórias

Estava mesmo agora ali na varanda a questionar-me sobre o seguinte: num raio de 50 metros da minha área residencial há 4 salões de cabeleireiras. As donas são duas portuguesas, uma brasileira e a outra, julgo que brasileira a julgar pelo seu aspecto físico, mas não tenho a certeza absoluta. Eu vou a um que pertence a uma dona portuguesa e é o que existe há, pelo menos 13 anos, que é o tempo que eu aqui vivo. Todos os outros têm 2 ou menos anos de existência. O que pertence à senhora cuja nacionalidade não é certa para mim é para um público específico: travestis e senhoras da noite. Os salões portugueses têm clientela certa e estão abertos no horário normal. O outro que pertence à senhora brasileira parece estar às moscas cada vez que por lá passo. Portanto, o que me pergunto é: qual vai fechar primeiro? É que nestes 13 anos a residir aqui já vi tantas portas a abrir e fechar, de outros negócios, que interrogo-me se esta zona é, efectivamente, boa para negócios ou apenas zona residêncial super-lotada!

A Sahaisis tal como eu a vejo

A Sahaisis escreve bem, suficientemente bem para me atrair todos os dias. E é baseado no que ela escreve que eu formei esta imagem dela e que só ela saberá ser realista ou apenas tolice minha.
A Sahaisis tem 25 anos, mas as suas palavras não são as de uma miúda estereotipada de 25 anos de hoje. Parece escrever como se fosse mais velha, mais vivida, mais experiente, mais sofrida. Parece, mas não é. Ela apenas escreve com sinceridade, com o coração nas mãos, com mestria, mas sem grandes malabarismos literários. Tal como eu gosto, tal como eu gostaria de escrever sobre o que me vai na alma.
A Sahaisis é profissional. De quê, não sei bem, ela nunca foi muito claro sobre o que faz exactamente. Gosta de me (nos) manter curiosos e, deste modo, preservar a sua vida real e a sua privacidade. Todo o cuidado é pouco na internet. Todos sabemos disto, mas nem todos agem em concordância. Sei que trabalha num hospital, a maior parte das vezes à noite. Atrevo-me a dizer que a Sahaisis é uma mulher da noite. E é à noite que ela vive mais intensamente, parece-me. A Sahaisis é uma profissional da noite que põe mãos à obra quando é necessário, não espera por decisões de terceiros que poderão chegar tardiamente. Possivelmente, eu não me importaria de a ter ao meu lado, no seu contexto profissional. No entanto, espero que tal nunca me venha a acontecer. A Sahaisis faz-me lembrar o House por causa do mau feitio que caracteriza ambos. Ela é bastante mais humana e afectuosa. Inquestionavelmente!
A Sahaisis é uma mulher rechonchuda, alta, de certeza mais alta do que eu, que gosta de sapatos de saltos altos, que a mim causariam desconforto e quiçá alguma queda vertiginosa. A Sahaisis tem cabelo comprido, castanho-escuro, liso e olhos castanhos. Olhos que eu desconfio serem letais para quem a olha em momentos de grande tensão, em momentos de seriedade, em momentos em que é necessário ser séria e responsável. A Sahaisis usa vestidos velhos e horrorosos e não tem vergonha de os mostrar. A Sahaisis é determinada quando decide mudar algum aspecto da sua vida. Basta ela querer.
A Sahaisis tem mau feitio, mas não acho que consiga ser tão antipática quanto ela pensa ser. A Sahaisis não manda recados por ninguém. Di-los na cara quando tem que ser assertiva. A Sahaisis comunica bem, é genuína, brutalmente honesta, para o bem e o mal. A Sahaisis sabe rir-se dela própria. A Sahaisis é uma pessoa saudável. Apesar dos quilos a mais que ela diz que tem. Aposto que lhe ficam bem! A Sahaisis pode aparentar ser carrancuda, mas desconfio que lhe passa rápido.
A Sahaisis gosta do Pedrinho. Eu gosto do Pedrinho porque ele gosta da Sahaisis. Eu gosto da Sahaisis, também porque ela gosta do Pedrinho. Eu gosto das histórias rocambolescas que se passam com o Pedrinho. Ela vai beijar ou ser beijada pelo Pedrinho um dia destes. E aí as nossas histórias acabam. E eu vou lamentar. E desejar que ela e o Pedrinho sejam felizes, nem que seja por uma noite, um dia, dois. Ela merece. E se calhar, ele também.
A Sahaisis tem medo. A Sahaisis tem medo de falhar profissionalmente, de desiludir os seus doentes. Eu tenho confiança no trabalho que ela faz, seja ele qual for. Ela inspira confiança e espelha segurança, digo eu, que não a conheço. A Sahaisis tem medo de ficar com o coração mais pequenino caso se lance à aventura com o Pedrinho. Lança-te, rapariga! Vive o momento presente, esquece o passado e não penses no futuro. Repete “Carpe Diem” todos os dias!
Citando-a: “E é isto…”