quinta-feira, 7 de julho de 2016

Ficção, ou talvez não

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- Viste a Dália a espreitar por trás da cortina branca? - perguntou o Alfredo.
- Onde, raios? E ela viu-me, que achas? - retorquiu o Jorge - Acho que estava mais preocupado em colar a porcaria do cartaz sem ser visto pelos bufos.
- Não sei se ela te viu, não sei se ela reparou que eras tu. Mas quando olhei para trás, ainda havia uma sombra atrás da cortina.
- Ela é linda, não é? Aqueles olhos verdes levam-me à perdição quando me deito.
Olha lá, soubeste do Manel dos Bois? Eles entraram-lhe casa adentro há duas noites. Parece que foi apanhado a colar os cartazes do direito à greve....shh!!! Cala-te!! Corre, pah, corre pela tua vida!
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Em Novembro de 1973, um destes dialogantes foi preso pela PSP de Lisboa, por colar "cartazes subversivos nas paredes". Está no auto de apreensão que me chegou hoje por e-mail. O seu original permanece na Torre do Tombo.

Inconcebível, hoje em dia.

Mais um farolim partido

(e um gato morto na estrada)

Há qualquer coisa no destino de certos gatos que os fazem atravessar a estrada mesmo à frente do MQT -  que trava brusca, repentina e mortalmente para o felino -  e, deste modo, contribuem para o aumento de vendas de farolins dianteiros. No espaço de cerca de um ano, é já o segundo farolim em duas viaturas diferentes.