segunda-feira, 22 de junho de 2015

Do responso que não aconteceu

"Ai que não sei do exame!"
"Deve estar naqueles envelopes do Secretariado."
"Já vi o conteúdo destes envelopes, aqui só estão os enunciados sobrantes."
"A quem o entregaste, depois de corrigido?"
"Vamos recapitular os teus passos e as tuas acções."
"Será que está no cofre?"
"Olha, precisamos agora é de um responso."
"É que isso funciona mesmo. Um colega meu, há uns anos, perdeu as chaves de casa, blah blah blah..."
"Bolas, eu sei que deixei tudo corrigido e sei perfeitamente a nota que lhe dei."
"Agora estou intrigadíssima!"
"Eu sei que o entreguei ao (incluir um nome qualquer)."
"Mas não te lembras a quem o entregaste?"
Ao telefone - "Eu tenho a certeza que não foi a mim. Fala com o  (incluir um nome qualquer)."
No telefonema seguinte - "A mim não foi, lembro-me que não o vi sequer. Já falaste com o (incluir um nome qualquer)?"
"Já telefonaste ao (incluir um nome qualquer)"?
"Já fui ao cofre com o Director e não o encontrámos."
"Tenho uma vaga memória de ter deixado papéis em cima da mesa dele, de ter dito "Está entregue" e de virar costas."
"Não estará no meio daquela desorganização de papel, lá na secretária dele?"
"Já vasculhámos tudo, eu e ele, e nada."

Isto durante 45 minutos. Mais uma vez, vejo o Director a dirigir-se à sala dos DTs. Pergunta-me com cara séria, enquanto me apresenta um envelope: "Esta letra é tua?" - Ao que respondo negativamente. Pergunta seguinte: "Alguém sabe a quem pertence esta letra em maiúsculas?" - Ninguém sabia.
"É que este envelope estava no cofre, só que no sítio errado."

Apeteceu-me bater em alguém. Ao invés, bebi um copo de água com açúcar e obriguei-me a respirar fundo várias vezes.