quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

História para adormecer

Então estava eu ontem à noite já preparada para ir para a cama, com o leite da noite tomado, pijama vestido e óculos de leitura colocados, quando me lembrei de ir espreitar a minha conta no facebook, onde ultimamente tem andado o meu filho a jogar e eu queria verificar o que é que ele afinal tanto joga aos fins-de-semana, que necessite andar a saltitar de contas, entre a dele e a minha. Nada de mal, adianto já. Coisas virtuais de canalha.
Devo adiantar que não percebo um cu de como aquela merda funciona. Não sei acrescentar amigos, sempre fui acrescentada e disse que sim a toda a gente que me pedia, desde que alguma vez lhes tivesse posto a vista em cima. Então, a minha lista consiste em familiares, ex-alunos, amigos/as de verdade, colegas de profissão, meia dúzia de americanos e ingleses com quem contactava via yahoo há uns anitos e talvez três pessoas da blogosfera, uma delas recentemente auto-excluído do facebook. Nunca perdi tempo a explorar aquilo, daí o meu desconhecimento das suas opções e funcionalidades. Também não interessam para o caso.
Estava eu na bisbilhotice da minha vida virtual e da do meu filho, quando de repente vejo algures um nome conhecido, que tinha acabado de publicar um vídeo duma música qualquer. Carrego nele e digo "olááááááaááááá´!" e não é que o contacto me respondeu passados segundos, dizendo no seu inglês impecável "long time no see. Com tens passado?". E pronto, estava dado o mote de abertura.
Contextualizando: ele manteve, até 2009, um blogue onde divulgava os seus gostos musicais e que eu lia assiduamente, até porque, até essa altura nós já tínhamos tido, durante anos, muitas conversas sobre música e não só, noutro sítio qualquer que agora não me lembro. E já o apresentei aqui atrasado, a propósito duma discussão linguística sobre a palavra "concerteza" que eu afirmava e afirmo não existir e ele insistia que sim, existiam as duas formas, "com certeza" e a outra. 
Adiante... a conversa fluiu tal como antigamente: situação profissional actual, família, namoradas, amigos, hábitos com que nós perdemos tempo, rebeubeubéu pardais ao ninho e vai ele, diz-me que iria acrescentar-me a um grupo de pessoas, grupo esse constituído por mais de três mil delas, muito divertido e eu, na minha ingenuidade, pergunto-lhe se ele conhecia assim tantas, ao qual ele retorquiu "mas tu estás doida?", concluindo eu que não, ele não as conhecia e ele adiantou que, à conta deste grupo e do facebook, já tinha conhecido algumas delas, muito divertidas, com quem passou bons momentos musicais e patatipatatá. E foi assim que, desde ontem, eu passei a fazer parte duma igreja virtual, onde supostamente tenho que partilhar músicas e vídeos que dignifiquem a dita instituição virtual e a humanidade em geral. Estão-me a ver a fazer isto, certo? Eu também não.
Concluindo, já passava bem da meia-noite quando me alapei na horizontal e hoje paguei as favas duma noitada virtual com o Joe, The Lion, coisa que já não fazia há muito tempo. Ainda ontem falámos do que nos tinha acontecido: há 3 ou 4 verões passámos uma tarde na mesma praia do sudoeste alentejano, a cerca de 3 metros um do outro e só a posteriori, já regressados a casa, nos apercebemos que tal tinha acontecido. Eu reconheci-o, apesar de na altura terem subsistido dúvidas se de facto era ele ou não, mas por estar acompanhado de 2 garinas e um amigo, não me atrevi a meter conversa. Ele estava demasiado ocupado para olhar para o lado e nem se apercebeu da nossa presença. Vim ontem a descobrir que entretanto ele tinha contribuído, mais uma vez, para o aumento da taxa de natalidade em Portugal, precisamente com uma dessas garinas. Ele há coisas do arco da velha...

Eu tenho uma história para contar

E é daquelas boas, boas, boas, mas estou com tanto sono, à conta dessa história, que agora sinto-me fisicamente incapaz de tal. É capaz de ser só isto por hoje.