quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A Hora do Sexo, na Antena 3.


De vez em quando calha estar a conduzir quando é transmitida esta rubrica, cujos protagonistas são a locutora de rádio, um certo psiquiatra e os inúmeros anónimos que contactam o programa via vários modos, com as suas dúvidas e situações pessoais sobre sexo, relacionamentos, fantasias, desejos e mais não sei quê.

E se incialmente, quando a rubrica era para mim novidade, eu ainda gostava de ouvir as teorias dele sobre sexo, hoje admito que o acho presunçoso, vaidoso, judgemental e com a mania de que só ele é que sabe da poda. Também confesso que eu nunca colocaria as minhas dúvidas de natureza sexual e relacional, que as tenho, no ar, num programa de rádio numa rádio nacional. Talvez este seja o meu problema, sei lá...

Vamos a mais outra história de famíla

Como disse antes, éramos uma família humilde. A minha mãe mantinha, por trás da casa antiga que hoje está inabitável e a cair aos pedaços, um galinheiro cujo telhado ficava ao nível da porta das traseiras, por onde se entrava para a cozinha (este detalhe é importante para conseguirem imaginar o que vem a seguir). Alimentava as galinhas diariamente, pois eram uma das nossas fontes de comida. E matava-as e depenava-as, com as próprias mãozinhas. Eu nunca fui capaz disso.
Quando calhava o meu pai chegar tarde e a más horas, depois de um dia de trabalho dele e dela, depois de alguma comezaina relaxante de final de dia para ele e sem que ele tivesse avisado que tal iria acontecer, o que fazia ela, sob um estado de irritação tal? Pois, não estão a ver, pois não? Ela pegava no prato do jantar dele, que tinha estado na mesa durante algum tempo até concluirmos que efectivamente ele já não vinha jantar a casa, e atirava-o, irada, para o telhado do galinheiro. Prato, comida e o que mais houvesse que fosse destinado ao meu pai. Aconteceu duas ou três vezes. E foi uma das razões por que a Clélia (nome estranho, não era?), a inquilina dos anexos da nossa casa arrendada, senhora de idade avançada sobre quem recaíam suspeitas de actos de loucura e bruxaria, dizia que aquela casa estava assombrada e de vez em quando aconteciam coisas estranhas.