quinta-feira, 5 de março de 2015

E se “O Xilre” fosse, afinal, uma mulher?



Ah pois é! Aposto que ninguém alguma vez pensou sequer nesta hipótese. Mas vamos lá pensar em conjunto e ver se não há fifty-fifty de hipóteses de, afinal, a pessoa ser do género “fêmea”.

Mais daqui a pouco, contudo...

Agora vou retomar o que fiz anteriormente com a Sahaisis, o GM, a Julie, o Tio do Algarve, o Patife e a Pusinko. E se me esqueci de alguém, na lista de perfis traçados, adianto as desculpas e aceito que me corrijam.

Passo então a dissecar “o Xilre”...

A pessoa caiu aqui no tasco qual passarinho novo e inocentinho, de asinhas leves e azuis, a chilrear timidamente sobre as alarvidades que eu ia escrevendo. Por algum motivo, foi ficando, até que, tal como aconteceu em muitos outros blogs, tornou-se “da casa”. De repente...puff! Desapareceu e, qual fénix renascida das cinzas, surgiu a chilrear nos diversos jardins, com uma elegância nunca vista, mas a fazer lembrar alguém do antigamente; alguém com conhecimentos infinitos sobre as mais variadas artes que terá pesquisado em algum momento da linha temporal da sua vida; alguém que terá engolido um dicionário tal é a quantidade e diversidade lexicais; alguém com fina ironia a discorrer postumamente sobre autores e artistas desconhecidos para muitos de nós; alguém cujos gostos se coadunam mais depressa com uma natureza efeminada do que masculina. Digo eu...

“O Xilre” é uma enciclopédia ambulante inesgotável, com uma sensibilidade extraordinária e incomum e enorme modéstia. Conhecem mais algum ser masculino que pulule pelos nossos cantinhos virtuais onde deixa sempre uma frase simpática  (mais em uns do que em outros, é um facto), reveladora dos seus vastos conhecimentos? E nunca se questionaram sobre como é que a pessoa sabe estas coisas todas? Onde é que arranja o tempo para se cultivar e ainda por cima partilhar?

Pois eu cá acho que só uma mulher, com a sua capacidade inata de realizar diversas tarefas em simultâneo, seria capaz de, em tão pouco tempo – cerca de um ano, ano e meio? – nos presentear com o rol de oferendas ao qual acrescenta sempre uma palavra mais pessoal, uma frase mais sua, um ponto.

Atentem neste texto:


"As pedras iluminam as estradas da fuga

Ao fundo ouço as vozes ásperas rolando como seixos em areia grossa, mas não adivinho ainda quão premonitórias são. Sem pausa nem misericórdia mãos agarram-me, amordaçam-me, arrastam-me, deixo um rasto de pele e sangue pelo chão. Cospem ritmicamente sobre os meus despojos como num imundo ritual de exorcismo. Nos uivos da multidão reconheço julgamentos sumários, culpas imaginárias, ofícios sem santidade. O meu corpo transporta a dor imaculada pelas ruas, o sofrimento tão puro como a carne que se revela quando a pele se despe. Ouço, já perto, o homem da pá com a lâmina a guilhotinar a terra, o jorro dos estilhaços que me ferem a carne. Tiram-me a mordaça e liberto toda a violência do grito contido. Não reconheço a cascata que brota da minha garganta, moldada em horror cintilante. Deixam-me cair no poço negro, os ossos cedem, apenas a cabeça encontra ar.  As vozes tornam-se feras e sincopadas. A um urro de comando, os seixos voam na minha direcção. De olhos fechados, assisto de dentro ao desintegrar da minha face, à pulverização dos ossos do crânio. Recordo os meus mortos que ainda sofrem a vida em mim. A escuridão assenta, as vozes afastam-se, distantes já, e nas pedras que embatem encontro o meu caminho de evasão."



Não vos parece que terá sido redigido por uma alma feminina desesperada, deprimida e depressiva? Não será este um exemplo de texto escrito por mão feminina e delicada? Não sei, não...

Assumindo que a minha suposição até é verdadeira, imagino “O Xilre” como uma senhora na casa dos 50 e muitos, quiçá 60 anos. De feições doces e sempre sorridente por fora, nem sempre condizente com o seu estado de espírito. De trato fácil  e de palavra terna para com os demais. Cuidada e cuidadosa e sempre atenta a tudo e mais alguma coisa, pois tudo e mais alguma coisa são a sua fonte de inspiração. Uma “Avózinha”, portanto...

Ajuizem vossas excelências.

Bela maneira de começar o dia

Disse-me a Susana, a menina que trabalha no café da vizinhança, e que me serve um café e um copinho de porto ao outro senhor de idade. Ela chega por volta das 7:20 e hoje só não bateu com o nariz na porta porque esta estava toda estralhaçadinha, em vidrinhos pequeninos, logo à entrada.
E afinal o que roubaram os assaltantes?  Aparentemente 2 ou 3 embalagens de Compal, que deixaram vazias no passeio, uns metros à frente.
Digam lá: não era de lhes dar uma coça valente e fazê-los juntar areia, grão a grão, de rabo pró ar, para arranjar a porta nova?

Sugestão de pirataria

Num dia em que não vos apeteça uma comédia de domingo, um filme patriota americano, um seriado de médicos e enfermeiras, saquem/aluguem um filme alemão de 2014, Labirinto de Mentiras. 

A sala estava cheia, ouvi e vi homens a limpar os olhos e o silêncio era sepulcral, honroso e incrédulo. Por muito que se fale de nazismo, de campos de concentração, de intolerância e ascendência superior parece sempre a primeira vez que ouvimos aquelas barbaridades. E é avassalador perceber que 20 anos depois da segunda guerra mundial, boa parte dos alemães, principalmente os mais novos, não faziam ideia do que era e o que se fazia em Auschwitz.

Baseado em eventos reais. De ver e de chorar. Por menos.