domingo, 13 de novembro de 2011

"Ó Pseudo, e por acaso tu conheces as bandas da actualidade, aquelas que os "incultos" ouvem?"

Os vossos comentários deixados 2 textos abaixo levam-me a desenvolver, com muito gosto, a resposta à pergunta deixada pelo "chavalego" e a deitar mais umas achas para a fogueira.

Chavalego, eles têm tanto direito de me chamar inculta, pela razão que tu apontas, como eu a eles, desde que, com educação, me expliquem porque é que me chamam tal, tal como eu lhes recordei quem foram os "Beatles", que, quer gostemos ou não, quer achemos que tenham qualidade ou não, marcaram uma década do século passado. Foram um ícone cultural agora reavivado.
Eu nasci na década seguinte e cresci ao som deles, pois uma das minhas tias, 9 anos mais velha do que eu, passou a sua adolescência e juventude a ouvi-los, tal como ouvia os Pink Floyd, Jethro Tull, Nina Hagen, Simon & Garfunkel, The Cure, Frank Zappa, Trovante, Zeca Afonso, Vitorino e outros que agora não me recordo. O meu pai fazia questão de pôr a tocar os vynils (não sei se é assim que se escreve) dos "Carpenters", Patti Smith, Elvis Presley, Frank Sinatra, Bee Gees, Abba, The Eagles" Roy Orbinson...e sei lá que mais, a ponto de eu, já mais velha, já enjoada de tanta música chata, nem sequer querer ouvir mais nada sobre a malta da geração do meu pai. Mas sei que existiram, reconheço os nomes das bandas e cantores como pertencendo a uma determinada época. Isto tudo para corroborar a ideia da Orquídea, que desculpabiliza os jovens de hoje pela sua ignorância musical devido ao facto dos seus progenitores não os terem formado convenientemente. E com alguma razão, a meu ver. Quando ouvi o tal anúncio da "Optimus" das primeiras vezes, realmente, eu mencionei cá em casa o nome dos gajos que tinham composto o original. Achei natural mencioná-lo. Não creio que todos os pais se tenham lembrado de tal coisa, mas quero acreditar que alguns fizeram o mesmo que eu.
Chavalego, os meus alunos não têm que saber tudo sobre todas as bandas que até hoje existiram. Eu própria sou uma inculta neste campo, considero-me bastante limitada a um reportório de bandas "mainstream" de décadas diferentes. Mas sei quem é o Justin Bieber, a Britney Spears, os Three Doors Down, os Rammstein, os Coldplay, os Incubus, os Da Weasel, a Rihanna, a excêntrica da Lady Gaga...consigo identificar esta malta toda se vir uma foto, apesar de não fazerem parte dos meus hábitos musicais. Atira-me com nomes de bandas actuais menos conhecidas, menos ouvidas nas rádios portuguesas e sim, admito que sou uma inculta.
O que me chocou na resposta deles foi também o facto de serem alunos de inglês há pelo menos 5 anos e nunca se terem deparado com um professor chato de Inglês que lhes avivasse a memória, passando umas musiquinhas dos ditos cujos Liverpoolianos. Será que nos manuais usados desde o 5ºano nunca houve referência a tal banda? Será que nunca apareceu uma imagem deles, usada como estereótipo dum estilo musical próprio duma determinada época?
Felizmente, eu convivo com malta mais jovem do que eu todos os dias. Faz parte do meu trabalho perguntar-lhes o que gostam de ouvir. Este ano fui agradavelmente surpreendida com respostas como "Nirvana" e "Pearl Jam", bandas que eu ouvia quando tinha 16/17 anos, a idade que muitos alunos meus têm actualmente. Alguns ouvem o que eu ouvia há mais de 20 anos! Muito por culpa das re-edicões e do marketing, é verdade, mas fizeram-me sorrir nesse dia.
Na semana passada também sorri, mas não resisti a chamar-lhes um nome feio! Como diria o Pulha Garcia, "nao os maltrates demasiado, pois eles são somente um produto do seu tempo".