sábado, 12 de outubro de 2013

No outro dia fui às compras, eu e mais cinco homens

De víveres, pois o frigorífico e a despensa estavam depenados.
Enchi o carrito com o que estava na lista, não me desviando - o que é para admirar - do que estava lá escrito e lá me dirigi à caixa. Enquanto esperava a minha vez de pagar, pus-me a observar um grupo de cinco homens, todos trintões e quarentinhas, que também esperavam a sua vez para pagar, numa caixa mais ao lado.

Tomando este grupo como exemplo, poderei dizer que há imensas diferenças entre os homens que vão juntos às compras ao supermercado e as mulheres que vão juntas às compras ao supermercado.
Desde logo, as mulheres não vão em grupos de cinco fazer compras de supermercado. Poderão aparecer duas mulheres juntas, normalmente mãe e filha ou duas jovens da mesma faixa etária. Mas nunca cinco.
Segundo, as mulheres, sozinhas ou em pares, têm sempre um ar taciturno quando estão na fila para pagar. Estes cinco homens não. Eles tinham um ar divertido, descontraído, estavam sorridentes e conversadores.
Terceiro, as mulheres não enchem a passadeira rolante da caixa de bebidas - caixas de vinho e cerveja - carne, muita carne, embalagens de salsichas e produtos pré-embalados e tomates, muitos tomates vermelhinhos. Elas também colocam cosméticos e produtos de limpeza para a casa.
Em quarto lugar, elas não se divertem com esta tarefa. Fazem-na, porque sim, porque tem que ser. Estes senhores não. Eles estavam nitidamente a gozar o momento, a anteciparem o momento em que iriam encher o bandulho com os comes e bebes.

E depois de eu pagar a minha conta, ainda me pus a imaginar qual seria a razão para esta ocasião masculina: só porque sim? Será que era uma despedida de solteiro mais caseirinha? Seria o aniversário de algum deles? 
E outras questões: cozinhariam todos? Beberiam a cerveja ou o vinho? E quem lavaria a loiça? No próprio dia ou deixariam tudo por fazer? 
Enfim... e vocês pensam em quê, quando vão às compras?

Ontem ofereceram-me um livro

O seu autor dedicou-me umas palavras singelas e simpáticas, e datou-as. Fui informada de que receberia uma prenda altruísta e sorri nessa altura. E ontem sorri novamente. Veio duma pessoa estranha, que certamente nunca virei a conhecer. Contudo, o nome, do autor e do livro, esteve e está em alguns escaparates, para ser lido e apreciado. Ou não.
Gostei muito do gesto e vou ler estas páginas. Mesmo que as ache lamechas e enfadonhas. E se as achar divertidas e informativas e inspiradoras ainda melhor. Vou lê-lo até ao fim. A pessoa merece esse respeito. 
Obrigada.