segunda-feira, 11 de julho de 2011

A IG tal como a conheço

A IG não escreve em nenhum blogue, com muita pena minha, pois eu seria uma das suas fiéis leitoras diárias. Se ela o quisesse, ela teria imensas histórias para partilhar. Se ela gostasse tanto disto como eu, desconfio que ela depressa se viciaria. Portanto quem me lê não poderá confirmar ou desmentir o que aqui partilho.

A IG é uma amiga real, colega de profissão, que conheci nos tempos de Coimbra, mas com quem não convivi nessa altura. Temos idades diferentes e entrámos no mesmo curso em anos diferentes. Os nossos caminhos cruzaram-se pouco ou mesmo nada nessa época. Reencontrei a IG anos mais tarde, numa escola de Braga e reconheci-a imediatamente. Ela não se lembrava de mim, eu lembrava-me dela. Foi giro recordarmos aqueles tempos, cada uma com as suas aventuras e experiências e amigos diferentes. Ela tinha sido bastante mais borguista do que eu, se exceptuar o meu último ano, altura em que ela já tinha terminado. Continuou mais borguista do que eu, vim a saber quando começámos a conviver diariamente.
A IG é uma mulher de peso, literalmente e não só. A IG faz-se notar pela sua verborreia, a sua quase constante boa disposição, a sua eloquência, o seu bom humor inteligente, corrosivo e por vezes ordinário, a sua voz possante, as suas gargalhadas estrondosas que se ouvem a milhas, a empatia que estabelece com as pessoas ao primeiro contacto, a sua capacidade de argumentação e de análise profunda dos problemas que se lhe deparam, o carinho que demonstra para com as pessoas de quem gosta, os seus pequenos gestos inesperados que surpreendem quando acontecem, as palavras certas ditas em momentos de tristeza, as palavras que nos desarmam e fazem corar em público. A IG é extrovertida, aventureira, enérgica, calorosa, opinativa, cautelosa, directa (para o bem e para o mal) e maluca q.b. No último grupo onde trabalhei com ela, ela foi a pessoa responsável pela compra dumas cuecas rendadas fio-dental vermelhas, posteriormente oferecidas como prenda de aniversário à coordenadora desse mesmo grupo. Momento de descontracção e gargalhadas interdito a homens!
A IG é uma profissional dedicada, incansável, criativa, cooperante, competente, amiga, ambiciosa, com capacidade de iniciativa, com características de líder, brincalhona, capaz de mover meio mundo para solucionar problemas dos outros. Raramente recusa ajuda aos colegas de profissão. Nunca me disse “não” a nada. Tem-me ajudado mais vezes do que eu a ela. Aliás, em tom de brincadeira que um dia destes se tornará realidade, tenho-lhe dito que recorrerei a ela para ser minha professora duma certa língua que já não pratico vai para 15 ou 16 anos. Ferrugem não me falta, ao contrário dela!
A IG teve um carro amarelo pequeno, agora tem um carro preto maior. O “amarelinho” era a sua marca aqui em Braga. O preto tornou-a mais discreta. Agora já não sabemos onde é que ela andou na noite de sábado passado. No seu carro pequeno cabiam 5 pessoas, neste cabem 5 pessoas, mas o gozo não é o mesmo. A IG tem um gato felpudo, gordo, mimado, caprichoso que adora. É o menino dos olhos dela. A IG preocupa-se com a minha tartaruga e dava-me um tiro se soubesse que ela tinha morrido à fome (não, rapariga, não aconteceu; a bicha está viva e come que nem um leão). A IG é sensível a questões de bichos e do meio-ambiente.
A IG tem mau feitio, que não deixa que transpareça perante quem não a conhece bem. O seu mau feitio revela-se mais nos seus maneirismos, nos seus gestos impacientes, do que propriamente na linguagem. Quem a conhece e vê a IG a aproximar-se sabe bem se ela está num dia mau ou num dia bom. As suas feições são transparentes para aqueles que convivem de perto com ela.
E é isto…ela se quiser que venha aqui acrescentar mais coisas. :P

Adenda (está na moda meter adendas aqui e acolá por tudo e por nada): Fiquei na dúvida se deveria disponiblizar o número de telefone, morada e foto da IG, mas depois eu seria responsável pelo resto da vida dela e não me apetece!

Há dias de formiguinha

Uma das coisas que sinto quando vou à varanda do meu 9ºandar localizado numa zona de prédios de habitação bastante densa é a de que eu sou apenas mais uma formiguinha pequena dentro duma pequena fracção dum casulo enorme, na companhia de outras formiguinhas pequenas como eu. Hoje, da minha fracção, o meu olhar voyeurista focou-se num formiguinho a tocar acordeão no 7ºandar do casulo em frente. Momento estranho, pois eu não associo acordeões a grandes cidades. De qualquer modo, pôs-me a pensar se do prédio em frente também me observam enquanto eu deambulo pela casa, às vezes em trajes menos decentes.