terça-feira, 18 de outubro de 2011

E o pacote vai....digo, o 2º prémio vai ...



...inteirinho para o Tio, que tem a liberdade de o partilhar com quem melhor lhe aprouver. :)

As manas, o Lobo e o Vigário

Enquanto as três manas Ratinha, Rata e Ratona observavam o Lobo a ser diligentemente servido pelas manas Porquinha, Porca e Porcalhona, aquelas foram subitamente surpreendidas pelo Vigário que, indiscreto como era, fez soar logo o alarme, alto e bom som:

CUIDADO, LOBO! AS RATAS ANDAM À SOLTA! DEIXA-TE MASÉ DE PORCALHICES E VAI JÁ REZAR TRÊS AVÉ-MARIAS E CINCO PAI-NOSSOS PARA QUE A TUA ALMA SE PURIFIQUE!

E QUANTO A VOCÊS, SIM AS SEIS...VÃO JÁ COMIGO PARA O CONFESSIONÁRIO!

E pronto. Foi assim que o vigário ficou com a melhor parte da história.

Como qualquer boa história, o melhor fica sempre por contar, pois confio na imaginação de quem me lê, para que cada um a conclua à sua maneira.

Acho que já chega de parvoíces e está na altura de voltar a ser séria.

Um dos prémios da Julie, bem merecido pelo esforço conjunto

Estou com a neura e a ouvir “Red Right Hand”, de Nick Cave & the Bad Seeds, via “playlist” do gajo que a seguir descrevo. A descrição vai ser uma amálgama de palavras, impressões, ideias certas e erradas e vai, com certeza, deixar transparecer o meu humor perante certas sacanices que hoje ouvi numa aula e que, porque sou uma pessoa com algum nível, não as repetirei aqui, mas sim no local adequado, perante pessoas hierarquicamente com mais poderes do que eu. E porque ainda tenho a capacidade de me surpreender e até escandalizar com o que oiço da boca de adolescentes, em contexto de sala de aula, hoje achei que seria um bom dia para, finalmente, ultrapassar este desafio auto-proposto e proposto ao Pulha Garcia que, apesar de inicialmente desconfiado e cauteloso, não declinou o meu pedido.

Não me lembro exactamente em que blogue descobri o Pulha Garcia, mas foi, de certezinha, a saltitar de blogue em blogue que me deparei com a sua cara de cowboy rijo e atrevido e daí atraente q.b. Sim, porque é dos sacanas que elas gostam mais, generalização corrente válida no passado, no presente e nos próximos tempos, sejam eles de crise ou não. Até porque as primeiras impressões contam bastante. Daí até o ouvir diariamente foi apenas uma questão de minutos. Sim, porque o que me atraiu em primeiríssimo lugar não foram as suas palavras, mas a selecção musical apresentada, a tocar “randomly”, opção tão do meu agrado, que raramente repetia as faixas. Lembro-me de, em Abril / Maio passado, passar manhãs inteiras a deliciar-me com as músicas por ele escolhidas e de pensar “bolas, este gajo tem um excelente gosto musical. Eu já não ouvia isto há bué e continuo a gostar.” Entretanto, tive várias oportunidades de conversar com ele e de lhe dizer precisamente o quanto eu gostava de iniciar as minhas manhãs com as músicas dele. Entre outras conversas, adequadas a dois desconhecidos que se conheciam via internet.

São 15:30 e estou a ouvir “No Surprises”, dos Radiohead, enquanto discorro sobre o Bom Sacana e ponho no papel as minhas impressões dele e do que ele escreve.

É indiscutível que ele escreve muito, muito bem. Dos melhores que me aprazem ler na blogosfera de hoje em dia. Adoro o seu sarcasmo. Consigo mesmo vê-lo a escrevinhar as suas farpas críticas enquanto cofia o seu bigodinho e se ri baixinho, sob a luz do seu candeeiro de secretária, a altas horas de noites lisboetas chuvosas, sem mais ninguém em seu redor. As suas citações, as imagens que partilha e que descobre sei lá bem onde, as suas próprias reflexões sobre literatura, filmes, pintura, pessoas e personagens, locais, fotos por ele tiradas, são sempre um primeiro passo, às vezes novidade até, para os meus próprios pensamentos. Sei que gosto muito de passar pelo blogue dele e ler as sacanagens.

Também sei alguns factos sobre ele, que não revelarei, por respeito para com a sua vontade. Alguns deles já escritos por ele, de qualquer modo. Sei que ainda é um trintinha, (a minha definição de “trintinha” tem a ver com qualquer pessoa cuja idade se situe entre os 30 e os 35) mesmo que as suas teses pareçam pertencer a alguém bastante mais velho, como ele gosta de aparentar através da escrita. Deve ser um bon vivant, de bem com a sua vida e com os caminhos que percorre diariamente, que dá importância a pequenos prazeres, como andar de chanatas e gozar devidamente a noite e o dia do santo padroeiro da cidade onde vive. Imagino-o vestido de um modo bastante clássico, de fato e gravata diariamente, que tira mal chega a casa, para se acomodar aos tais chinelos de enfiar no dedo. Imagino-o acompanhado de um copo de uísque, enquanto folheia livros e revistas e jornais, as mais das vezes escritos em estrangeiro. Imagino-o embrenhado nos seus calhamaços profissionais, a queimar as pestanas, ajeitando os óculos de leitura, sem se dar conta do tempo a passar, ao som de Belle Chase Hotel, tal como eu, agora. Imagino-o a cantar na sua cozinha, enquanto brinca com os condimentos e prepara refeições para os seus amigos. Imagino-o totalmente alheado do que o rodeia, concentrado apenas naquele pormenor que lhe captou a atenção. Imagino que seja uma pessoa bastante interessante de se conhecer.

Ele avisou-me para não me deixar levar por generalizações e estereótipos. Só ele saberá da verdade deste texto.

P.S.: Atentem nas labels dos seus posts. Autênticas preciosidades!

P.S.2: Esqueci-me de dizer que é também um excelente benfiquista!