terça-feira, 1 de julho de 2014

Vazio

Ando há algum tempo a sentir uma vontade tremenda de escrever um texto longo, daqueles cujo tamanho afastam a maior parte dos leitores. Sobre o quê ainda não me decidi, pois se por vezes há imensos assuntos de que poderia falar, as mais das vezes retraio-me, porque não quero dar a conhecer de mim mais do que aquilo que quem me lê já conhece. É por isto que gosto do anonimato: por trás de uma alcunha falaciosa, posso apresentar e dissimular os meus humores e disposições, as minhas angústias e alegrias, as minhas tentativas de vos entreter e a mim, os meus gostos, os meus ódios esporádicos, os meus silêncios, as minhas palavras tantas vezes sem sentido aparente. Pensei em inventar uma história; não seria a primeira vez que o fazia. Mas só me ocorriam ambientes cinzentos, mórbidos, escuros, deprimentes (possivelmente à conta da literatura sueca que li há pouco). Pensei em, mais uma vez, aliciar a malta a participar num qualquer desafio vocabular. Pensei em apresentar mais dos detalhes numerados de minha casa. Pensei em atualizar os meus gostos. Mas nada disto me satisfez. Pensei em vadiar pela net e descobrir blogs novos, mas já nem isso me atrai neste pequeno mundo da internet. Pensei em falar das últimas compras que fiz, mas achei o tema demasiado fútil. Pensei em falar do baile a que fui há uns dias, mas pensei que seria estar a falar de "estranhos" e duma situação especial para esses estranhos que nem sequer me lêem. Pensei em falar dos planos que pululam a minha mente, referentes a esta casa, mas tal seria abrir demasiado as portas do meu lar. Pensei em escrever sobre a bicha, mas tinha feito tal há pouco e até acompanhei com fotografia. Pensei em partilhar coisas de família, mas achei que seria demasiado intrusivo, mesmo tendo em conta que eles possivelmente não me lêem, mas no futuro nunca se sabe. Pensei em opinar por escrito sobre a dicotomia "idolatrar / desprezar", tão na moda entre bloggers, mas discorrer sobre mesquinhices não faz o meu género. Pensei em abordar questões do meu mundo profissional, mas esses desabafos seriam em vão, pois já há tantos que o fazem e muito melhor do que eu. Pensei em apresentar uma qualquer receita de culinária, de um prato por mim confeccionado, mas tal não faria muito sentido quando até me assumo como péssima cozinheira, porque não gosto de tal atividade. Pensei em falar de sexo, mas bolas, esse é assunto raramente abordado por aqui, por mim e seria tão estranho e anormal. Pensei em falar da bola e da minha costela benfiquista e da minha afeição pela selecção holandesa, mas depois daria a revelar o meu desconhecimento sobre esse mundo. Pensei em falar sobre o livro que ando a ler, que começou com fina ironia sobre História de Portugal, mas ainda não terminei de o ler. Pensei em falar sobre os meus apetites e desejos e pensamentos mais obscuros, mas depois ficariam a saber quase tanto como eu. Pensei em tantos e tantos temas e agora não sei sobre que mais escrever.

Update das novidades

Após este breve interregno de minha parte, retorno num dia chuvoso para informar que, afinal, novidades, só no dia 11 de Julho. Pergunto-me eu porque é que há um intervalo de um mês entre a assumida conclusão duma determinada tarefa e a publicação dos seus resultados, quando as instâncias superiores até nos tinham chamado de irresponsáveis e calaceiros. Agora demoram um mês a apresentar os resultados, parciais, do trabalho de máquinas e da parte que tinha sido concluída pelos meus pares a 11 de Junho. Afinal qual era a pressa?
Não me apanham noutra, não!

País em crise

Herman José vai "assegurar as tardes da estação pública a partir de Setembro".

Lá se foi o prime time dos fins‑de‑semana.