segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Tecnologia informática na Idade da Pedra

Acho que hoje seria incapaz de viver sem estas "pedras"


Coitado do crocodilo, já nesta época tão mal tratado.

Das duas, uma...

Ou eu tenho andado mesmo muito desatenta - o que é frequente em mim - ou a Igreja Católica portuguesa enfiou bem fundo o barrete.
Já digo qualquer coisita acerca do filme em si...
O nosso Eça de Queirós já deve ter dado mil voltas debaixo da terra cada vez que uma sala de cinema enche com adolescentes aos berros ou em estado de pré-orgasmo - como foi o caso do Cineteatro S.Pedro, lá na minha terrinha, na sexta passada.
Mas as grandes dúvidas que tive no final de ver a adaptação cómico-erótico-lisboeta da versão de "O Crime do Padre Amaro" foram: será que ainda nenhum padre viu este filme? será que ainda nenhum padre protestou contra as cenas "ousadas"? será que ainda nenhum padre protestou contra a imagem que passam de alguns padres? Eu já me fartei de padres há muitos anos, mas de vez em quando ainda os ouço a protestarem contra a Educação Sexual nas escolas ou contra um qualquer programa semanal sobre sexo que passe na televisão a horas tardias.
Mas com este filme...nada se passa...quer dizer, não se passa nada com os padres...ou melhor, com dois dos padres do filme passa-se muita coisa... mas cá fora? onde estão os padres das paróquias que não se insurgem contra este escândalo que anda a moldar as mentes dos nossos adolescentes? ou ando mesmo distraída? Vocês me dirão.
Relativamente ao filme, eu gostei...mas isso sou eu, que gosto de filmes "fáceis": tem humor, tem sexo e mais sexo, tem acção, tem pancadaria, tem sexo na sacristia, tem perseguições policiais nocturnas, tem luta de bandos, tem sexo no confessionário, tem uma banda sonora portuguesa com grupos da minha predilecção, tem personagens-tipo, tem hip-hop, tem drama, tem cenas de pancadaria, tem coscuvilhices e alcoviteiras, tem...já falei de sexo??
Bem, o filme não se resume a sexo, é óbvio, mas que a 1ª parte (sim, na mencionada sala de cinema ainda há intervalos!) mostra muito do dito cujo, lá isso é verdade. Ah...esqueci-me, também mostra com muita frequência os atributos físicos do padre e da menina Amélia. Bem, na minha opinião, o que é demais começa a enjoar...mas vamos dizer isto aos espectadores desta salinha provinciana: oh oh...estavam no paraíso.
A segunda parte, mais dramática, mais "séria", revela alguns factos do passado explicativos do presente. A qualidade continuou mediana, com muitos clichés, muitas situações previsíveis, enfim....pouca coisa nova.

Gostei mesmo muito duma imagem (e aqui não estou a ser irónica): a do re-encontro da Amélia com o namorado, em frente aos Jerónimos, mas visto de cima, com o mundo a seus pés. Confesso que não conheço Lisboa por aí além, portanto alguém que me diga se aquele sítio, revestido de calçada portuguesa a formar um mapa-mundo, tem um nome.

E pronto, pouco mais há a dizer...o padre Amaro é um bom padre, a menina Amélia, que também é muito boa menina, resolveu por bem ir para outro lado, as visitas dominicais à igreja aumentaram a olhos vistos e passados dois anos ficou tudo na mesma...ou quase.

E tudo por culpa dum tal São Sebastião - por sinal o santo padroeiro duma paróquia perto da minha terrinha - que era soldado e quase que morria na guerra; foi salvo por uma mulher...afinal de contas "é nelas que tudo acaba".
Depois de escrevinhar isto, li isto. Dou-lhe razão, mas que querem? eu gostei.
Até amanhã.