segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Comentando o comentário

Há gestos e palavras que, de tão inesperadas, respeitadoras e até algo ternurentas, nos surpreendem. As que li hoje tiveram este efeito, e confesso que também me alimentaram o ego.
Já referi anteriormente que de todas as pessoas que visitam este blog frequentemente, são poucas as que me conhecem pessoalmente. Hoje, e sem que eu soubesse que ela já tinha secretamente "chegado" até aqui, a Filipa deu a cara e deixou o seguinte comentário que tenho mesmo que destacar "ipsis verbis":

Sendo que há meses que aqui não vinha fazer uma secreta visita, me resolvi hoje (quissá por absoluta falta do que fazer ou talvez até por simpâtia com o cantinho em questão, que é este)a passear um pouco por blogs antigos, como é este.
antigo sim, porque apesar dos vêemented "não" ouvidos aquando dos meus pedidos para que me desse o link desse seu tão misterioso blog (recordar-se-á se remontar ao tempo de uma qualquer aula d inglês que eu pessoalmente não recordo) me resolvi a procura-lo por mim mesma, e aqui vim ter. e apesar de tudo isto tirar beleza à narrativa devo dizer que não foi difícil. O google faz maravilhas, eu nao =).
E não poderia deixar d elogiar a leveza de tudo isto, sendo que os meus comentários sao sinceros e, pelo facto de nao sermos já aluna-professora, não há como duvidar disso. (não que nessa altura não houvesse neles sinceridade, mas a simpatia do estudante pelo docente gerará sempre desconfiança x)
Mas acho que de tudo isto, o mais estranho sem dúvida é, ao ler o que parte de uma qualquer pessoa, descobrir, ou será mais correcto dizer, redescobrir o ego de outrém! Ás vezes(só porque é brusco demais dizer "sempre") trancamos o que as pessoas são, naquilo que vemos delas. e se assim fosse, repare que lamentável seria toda a sua existência restrita ao ensino do inglês! mas tudo isto vem reforçar um pouco toda a minha teoria de que pessoas não passam de ideias. E se não me tivesse eu empenhado (sendo que o empenho não foi assim tanto, benditos os motores de pesquisa)a ideia, sua, que teria hoje seria no mínimo simpatica, mas ainda assim mesquinha em ralaçao à que hoje faço. Acho que, hoje, e talvez sempre, me viro de mais para as sensibilidade da filosofia e portanto, fico por aqui no meu monologo entendiante.
como nota de pré-despedida, só tenho a dizer que Paul Auster é realmente uma bola leitura (aconselho O palácio da Lua e a música do acaso) muito pelo cariz realista que dá as personagens. Mas, feliz ou infelizemente, as minhas leituras dele foram interrompadidas este verão por Nietzsche e Fernando Pessoa(que não deixam nunca, nunca de me arrebatar), que escritor algum poderia igualar, na minha tão cálida opinião. E por isso , se é que ainda não leu (coisa que duvido) iria apelar a que se perdesse no Livro do Desassossego e no Assim falava Zaratustra. é coisa que vale mesmo a pena.
e fico finalmente por aqui, sendo que as probabilidades de nao ter tido paciencia d chegar ao fim do comentário são vastas. Mas tenho a dizer que está realmente calor aqui no escritório e que, por isso, o meu esforço deveria ser notado =)
Optimo resto de féria e espero, espero realmente, que volte a dar uma vista de olhos ao meu blog, se houver paciência em tudo isto.
enorme beijo

Filipa ( se nao se lembrar realmente de quem diabos é a filipa, podia dizer que fui sua aluna no 10º ano, do ano passado lá está. e se mesmo assim nao se recordar, não há problema, afinal isso é o que menos importa).
Boa sorte para o novo ano*


A Filipa é uma adolescente de 16 anos, foi minha aluna o ano passado numa escola da cidade de Braga e deu-me o prazer de conviver com alguém que considero ser excepção a uma grande parte dos nossos adolescentes: sensível, atenciosa, respeitadora, amiga de todos, curiosa, inteligente, trabalhadora, uma pessoa de mente aberta. Numa das imensas conversas tidas em tempo de aula, mas cujo assunto não tinha nada a ver com o decorrer da aula, mencionámos blogs e ela partilhou comigo o endereço do dela. Na verdade, ela escreve em dois, e muito bem, por sinal, como tive oportunidade de lhe dizer naquela altura. Não partilhei com ela este blog, mas prometi-lhe que no final do ano lectivo o divulgaria. Tal não aconteceu: o ano passou-se, terminou e nenhuma de nós tocou sequer na palavra "blogs". Eu não me tinha esquecido da minha promessa, mas também não achei correcto eu, a autora, presunçosamente lembrar-lhe do que tinha prometido. Contudo, espantava-me que ela, aparentemente, tivesse perdido o interesse por saber "o meu segredo". Hoje provou-me que de facto o mundo é pequeno. Não me recordo de lhe ter dado alguma pista, algum termo para ela procurar seja onde for, por isso ainda estou para perceber - e espero que ela mo explique por e-mail - como é que aqui chegou.
Na minha profissão, como em todas, criam-se laços de empatia, uns mais fortes do que outros. Sei que não consigo agradar a gregos e a troianos, sei que estabeleço relações mais cordiais e até intimistas com alguns alunos e alunas e não acontece o mesmo com outros. Sei que o que ensino não se limita ao verbo "to be" nem à preposição "at". Não tenho a pretensão de chegar a todos da mesma maneira, mas a sensação se saber que "tocámos" em alguém, que de alguma forma afectámos positivamente pessoas com metade da nossa idade, ou menos, como foi o caso, é uma sensação fantástica. Perdoo-lhe os erros ortográficos e as gralhas, justificando-os com uma escrita "rápida e sentida", a meu ver. Erros esses que não são demasiado importantes, e que de certeza, após uma segunda leitura ao seu texto, elas não os cometeria. Contudo, se ainda fosse minha aluna, já teria muito que ouvir. Se ainda fosse minha aluna, certamente eu não estaria a escrever isto.



Filipa, puseste-me um sorriso de orelha-a-orelha com as tuas palavras. E obrigada pelas sugestões de leitura, mais uma vez. Um excelente ano lectivo para ti e um grande beijo.
(já agora...porque é que As Crónicas não são actualizadas?)