terça-feira, 21 de maio de 2013

Ruby, Eva, Jamal, Tito and the rest of the gangs


O CASO DA PEQUENA ESTUDANTE NEGRA, RUBY BRIDGES

New Orleans, 1960: embora o governo Federal Americano garantisse o acesso dos negros às escolas de brancos, a realidade local era outra.
Ruby Bridges, uma menina negra de 6 anos de idade, destacava-se intelectualmente e por isso uma associação procura a família Bridges para que ela seja uma das primeiras crianças negras a estudar numa tradicional escola de brancos.
Mesmo receosos, os pais autorizam, mas agentes federais tiveram de acompanhar a menina à escola, dado que os protestos eram diários e o preconceito racial estava no auge, mesmo nas escolas.A sua sorte foi ter encontrado uma professora branca que a protegeu.
Ruby Bridges é um ícone especial do movimento pelos direitos cívicos dos negro afro-americanos.
No livro “Through My Eyes” é contada a história em primeira mão de como era ser uma criança negra de 6 anos em Nova Orleans, Louisiana, onde morava.
Em 1954, ano em que Ruby nasceu, o Supremo Tribunal dos EUA ordenou o fim do ”separados mas iguais” na educação para crianças Africano-Americanas. As escolas no sul do país ignoraram a decisão.
À Louisiana foi dado o prazo até final de Setembro de 1960, para integrar as escolas de Nova Orleans.
Elas começariam com os Jardins de Infância e assim iriam integrar um ano escolar de cada vez.
Ruby Bridges era apenas uma das cinco crianças negras que passaram no teste para determinar quais seriam as crianças que teriam capacidades intelectuais e seriam enviados para as escolas dos “brancos”. O teste havia sido criado de uma maneira para que as crianças negras não fossem capazes de passar.
A família de Ruby tomou a decisão de lutar pelos seus direitos e inscreveu a pequena Ruby no primeiro grau numa escola toda ela de brancos. Ela seria a única criança negra naquela escola.
Ruby chegou para o seu primeiro dia de aula com uma escolta de quatro agentes federais e foi apupada e insultada por uma multidão sinistra das donas de casa brancas e de adolescentes enraivecidos. Mães furiosas tiraram as suas crianças da escola, alegando que elas só voltariam quando Ruby tivesse deixado o local. Por todo esse ano escolar a escola funcionou apenas, para cinco alunos. A Ruby e outros quatro estudantes brancos.

Para que não esqueçamos a longa luta pela dignidade humana!

António Jorge – editor e livreiro

Maio de 2013

13 comentários:

  1. A 1 de Dezembro de 1955 uma senhora negra, Rosa Parks, recusou deixar o seu lugar para o dar um branco, em Montgomery, Alabama. Ela estava num autocarro com segregação "de cores". E quando a secção branca enchia, os de outras "cores" tinham que começar a dar o lugar aos brancos. Rosa Parks foi presa por esse "crime". Foi uma das heroínas das luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Tal como Ruby, se não fosse a respectiva coragem de enfrentar esse estúpido sistema, a mudança não tinha acontecido.
    Parks e Ruby foram heroínas dessa luta, um longo caminho, na verdade. E, ao contrário do que muitos pensam, ainda continua a ser. Está melhor, mas longe, muito longe da resolução.

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    1. Manel, esse é outro episódio que não deve cair no esquecimento. Já no caso da Ruby, deve ser destacada a atitude dos seus pais - talvez mais do que a da própria criança - pondo em risco de vida a sua descendente.

      Viste o video?

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    2. Não, mas vi outros com consequências infelizmente mais trágicas, como o "Mississipi Burning", que mostram que foi um caminho cheio de obstáculos. E ainda não é nada claro que lá a justiça funcione de forma igual, ainda hoje, para brancos e "não brancos".

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    3. O filme é muito bom. Tenho de o rever.

      R.

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    4. Manel, não punha as minhas mãos no fogo por eles, lá, nem cá. :)

      R., quinta-feira, às 8:30 (AM)...aparece :)...Para começar bem o dia, dum modo emocional :)

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  2. Não é só por lá que existe muito para mudar.

    R.

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    1. R., a intolerância não tem limites geográficos. Só que certos episódios são mais mediatizados do que outros.

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    2. É verdade. Tenho algumas histórias curiosas passadas comigo que o demonstram.
      R.

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    3. R., e que tal relatares uma no teu tasco? Para variar? :)

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    4. Porque envolve outra pessoa, que não quero metida nisto.

      R.

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  3. É curioso, melhor é "engraçado", eu sou contemporâneo dessas coisas.
    Antes de 1974, nada disso passava na televisão ou rádios do estado, nem sequer nos jornais, até porque o povo português "não era racista", dizia a propaganda oficial do governo (é verdade que a miscigenação aconteceu e que os "mulatos" são uma "invenção" portuguesa, mas quantas destas relações não foram forçadas, p.e.?). A informação chegava pela Rádio Moscovo, pela Rádio Portugal Livre, que os meus pais ouviam durante a noite e que eu a partir de determinada altura passei a acompanhar também e foi um assunto que sempre me interessou e pelo qual fui fazendo o que podia ao longo duma vida activa na política e nos sindicatos. No entanto, o estigma da côr, mesmo aqui, hoje, continua!
    Vou-vos dar um exemplo: os melhores amigos do meu filho mais velho (do mais novo também, mas não tanto) são negros, tem amizades desde quase que nasceu com rapazes negros do bairro onde morávamos e que ainda hoje perduram; dormiram e dormem em minha casa quando lhes apetece(u), comeram e comem à minha mesa se quiserem, quando íamos de férias e os putos ficavam, era num amigo negro da idade deles que confiávamos "para não os deixar parvar", mas o meu filho refere-se aos negros em geral de forma depreciativa, tipo, é pá o gajo é preto! "pá, mas os teus melhores amigos são pretos!" dizemos-lhe; ele responde: "mas esses não são pretos!"
    Concluindo, o facto de os considerar iguais é sinónimo de uma pessoa bem formada, o facto de os depreciar p'la cor da pele, revela ainda resquícios daquilo que era a atitude oficial do país, "não somos racistas (mas eles são pretos)", embora para ele sejam, como ele diz, iguais aos outros, mas pretos.
    Considero contudo, para terminar que já me estiquei, que a segregação racial é talvez a pior gangrena da humanidade desde a Inquisição e ainda há muito a percorrer para a eliminar. Se todos ajudarmos um bocadinho, será mais fácil e mais rápido...

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  4. Leão, eu gosto muito de ler/ouvir testemunhos do pré-74. Nasci em 72 e não tenho memória do como era antes. O que sei é baseado no que oiço os mais velhos relatarem. E este teu testemunho é impressionante, pela distância na análise que fazes do teu próprio filho e do ambiente da época.
    Obrigada :)

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Olha, apetece-me moderar outra vez! Rais' partam lá isto!

P.S.: Não sou responsável por aquelas letrinhas e números enfadonhos que pedem aos robots que cá vêem ler-nos.