quinta-feira, 24 de março de 2011

Dúvida maternal

"Mãe, esta senhora deve ter sido uma p-u-t-a", disse ele algo a medo, por saber que estava a articular uma palavra feia.
"Porque é que dizes isso?", perguntei eu com um ar de grande espanto.
"Porque afinal ela casou-se com oito homens", retorquiu ele.
"Não, meu amor, lá porque teve oito maridos, não quer dizer que tenha sido isso, é relativo", desenrasquei-me eu, esperando que o assunto ficasse por ali. E ficou, mas pôs-me a pensar.

Se uma mulher tiver oito parceiros ou companheiros ou o que quer que lhes chamem, é ou não é uma "p-u-t-a"? Sê-lo depende do número de parceiros, do seu estado civil, se recebe ou não contrapartidas financeiras ou de quê?
Se um homem tiver oito parceiras ou companheiras ou o que quer que lhes chamem, é ou não, e cito o meu filho "um pinga-amor"?

E como é que se explica esta diferença de tratamento social relativa ao género humano?

4 comentários:

  1. Não se explica. Sempre alertei a minha irmã para essa diferenciação. Para fazer o que bem entendesse mas fazê-lo com discrição por forma a não estar sujeita a estes epítetos. Ainda assim, "pinga-amor", "garanhão", "playboy" e outros que tal, são igualmente perjurativos nos tempos que correm.

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  2. Eu faria o discurso da lealdade enquanto a pessoa se mantivesse numa relação e que as regras são as mesmas para cada um dos envolvidos. Mas sei, por experiência própria, que os mais novos continuam a receber fora de casa a educação "machista" que insinuas, não sei vinda de onde. A menos das relações entre pessoas do mesmo sexo, por paradoxal que pareça, onde demonstram um pensamento muito liberal.

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  3. Essa diferença de tratamento é causada por estereótipos que não têm nada a haver com a realidade. Uma puta (prostituta) é uma mulher que vende o corpo por dinheiro(o mesmo se aplica para o homem). Tanto para o homem como para a mulher, na sucessão de muitos casos, é uma busca insaciável de algo, a falta de prazer, sei la. O ser humano é todo igual, sendo mulher ou homem quando existe dinheiro do outro lado e se não existir alguns valores e uma consciência moral mínima é normal que irão atrás do dinheiro (sendo indivíduos, a meu ver, imorais que dão valor a prazeres mínimos).

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Olha, apetece-me moderar outra vez! Rais' partam lá isto!

P.S.: Não sou responsável por aquelas letrinhas e números enfadonhos que pedem aos robots que cá vêem ler-nos.