quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Momento sério da dona do tasco

Habitualmente não escrevo conteúdos sérios, profundos ou polémicos que deêm azo a grandes discussões. O blog nunca pretendeu ensinar nada a ninguém, nem informar, nem influenciar - é apenas o meu cantinho de escrita de desabafos, dúvidas, palermices, provocações, indirectas dirigidas a um ou dois comentadores; cantinho que espero que seja lido de fio a pavio pelo petiz que sabe da sua existência, mas a quem neste momento estas coisas de leitura e escrita em blogues não interessam. Penso que não chateio ninguém nem ninguém me chateia a sério. Tudo muito pacífico, portanto...
Mas sinto que preciso de botar cá para fora palavras sentidas, sinceras, de revolta e consternação pelo que aconteceu ontem. Não é para dizer coisas que já não tenham sido ditas e repetidas por outros, não. É mesmo uma necessidade minha de exprimir o que penso e sinto. Continua a ler quem quer. Quem não quiser sentir-se entediado que passe à frente.

Sim, foi um atentado à liberdade de expressão, liberdade de expressão esta em particular que sempre se pautou por ser satírica e ofensiva para com diversas crenças e religiões, estados e politiquices, indivíduos e instituições.
Sim, quem se sente ofendido tem todo o direito a usar da sua liberdade de expressão para mostrar o seu desagrado.
Sim, foi um atentado às vidas humanas dos envolvidos e dos seus familiares e amigos e colegas de trabalho. Não consigo sequer imaginar como se sentem, se choram, se berram, se pensam em retaliar, se questionam os porquês, se, se, se...
Sim, é uma situação que só vai agravar o relacionamento entre raças num país multiracial e xenófobo. Quem sabe se não é o início duma guerra física entre continentes...

Mas nada disto, nenhuma das razões, justifica a mortandade bárbara deliberadamente planeada por pessoas que atentaram contra os seus iguais. A minha ingenuidade não me permite compreender algo que nem no reino animal acontece, a não ser por razões de sobrevivência, fome ou defesa imediata. Não entendo como é que seres humanos são capazes de matar outros seres humanos. E esta minha ingenuidade é válida para todas as situações de homicídio. 

Pronto, é isto, bem ou mal expressado. Não é que me sinta melhor, mais feliz ou aliviada. Mas precisava de desopilar. Vocês sabem...

15 comentários:

  1. E se for em legítima defesa, já aceitas que seres humanos matem outros seres humanos?

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    1. Acho que sim, aceito e esta não é uma resposta de ânimo leve: na eventualidade de me sentir ameaçada de morte, ou os meus mais próximos, aceito. Se a minha casa for assaltada e um dos elementos ver uma arma apontada ao coração, não deverei defender esse elemento da maneira que souber, puder?

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    2. "E se for em legítima defesa, já aceitas que seres humanos matem outros seres humanos?" Francamente, Mana não tens sorte nenhuma com algumas comentadeiras. Foda-se lá para o caralho...

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    3. Olha, nem com o Mano tenho sorte, quanto mais com as comentadoras :P

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  2. Como de costume não me fiz entender. Concordo contigo em absoluto, irra...

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    1. Eu percebi, pah!! Mas continuo a achar que não tenho sorte nenhuma com o Mano arranjado :P

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    1. Ora, podias ser tão ajuízado quanto eu, logo eu seria mais sortuda :)

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  4. os extremismos, os sentimentos xenófobos, as politicas de integração, as politicas de aceitação, e outras coisas mais são realidades a consumirem-se simultaneamente, à espera de ver qual delas é que vai ganhar "este jogo"! É que o mundo começa a agir como se estivéssemos num brinquedo tecnológico, onde alguém clica furiosamente para ganhar pontos e acumular estatuto na irmandade!!!

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    1. desabafos, não sei onde vamos parar (além do destino óbvio de todos, independentemente das crenças), mas é verdade que há momentos em que o mundo é um local muito feio para viver.

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  5. Saio do meu silêncio para concordar contigo.
    Mas também para acrescentar que esta gente, melhor esta religião, está apenas cerca de 450 anos atrasada em relação à católica, já que esta iniciou a importante reforma da separação do estado no concílio de Trento, entre 1545 e 1563. Contudo, a ver pelo tempo que a religião católica demorou a tratar do assunto, só resolvido no concílio do Vaticano II, entre 1962 e 1968, ou seja quatro séculos, mais coisa menos coisa, a humanidade ainda tem muito que penar...
    Sim, quanto a este assunto, sou pessimista.

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    1. Sabes o que dizia o Marx, não sabes? Logo, como droga ideológica que é e seguida por milhões, a religião não é coisa boa, seja ela qual for!

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  6. De tudo o que disseste (que concordo, atenção nada justifica a barbarie, MAS não ´basta colocar uma etiqueta de assassinos, era preciso tentar perceber o que move esta gente e não, não compro o argumento da "causa")...fiquei a pensar...em que "condições" seria eu capaz de tirar uma vida, e respondo-te: Há dias uma amiga minha ia matando um funciopnário de uma escola que foi apanhado a apalpar a filha dela ...menina de 4 ou 5 anos...não vou alongar-me...mas posso-te dizer: Se alguém tentasse algo do género com filha minha...não responderia por mim. TODOS temos um lado negro.

    Bom dia Pseudo:)

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    1. Exactamente, Suri, nessa situação em particular eu acho que tb seria capaz duma loucura de morte; é o tal argumento da "defesa", minha ou dos meus. Agora o que aconteceu não considero ter sido acto de defesa e sim de ataque bárbaro, cruel, psicopata de "carneirinhos" radicais intolerantes.

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Olha, apetece-me moderar outra vez! Rais' partam lá isto!

P.S.: Não sou responsável por aquelas letrinhas e números enfadonhos que pedem aos robots que cá vêem ler-nos.