quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Mais um daqueles devaneios

Eu não gosto de poesia
Mas gosto da maresia da prosa
De imaginar e fantasiar e deixar-me levar
Por um mar revoltoso de palavras
Ondas lexicais pujantes e catastróficas
Obscuras mas subtis e consequentes

Eu não gosto de poesia nem
Do que as rimas me fazem trabalhar
Muito menos de interpretações vagas
Polivalências significativas
Anseios pessoais e meras suposições 
Interpretações e conotações

Eu gosto de prosa
De ler de fio a pavio
Noite e madrugada dentro
Deitar uma narrativa ao meu lado
Quando o meu mundo acorda
E só aí adormecer a pensar

10 comentários:

  1. Hmmm, até mesmo na frieza nórdica a polivalência significativa é tão omnipresente quanto o arenque fumado. Não desfazendo.

    Boa noite :)

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    1. X, Boa noite.
      Dá-me um bom policial, sim? Daqueles mirabolantes, que te trocam os sentidos, com finais inesperados...e tens leitora para a vida. :)

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  2. Já somos duas! Também sou pela prosa!
    Bjs

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    1. Mam my, acho que irei terminar os meus dias assim. Nunca me puxou ...

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  3. A poesia é a sublimação da escrita. Admiro-a, embora não tenha o hábito de ler. Considero que um poema, um dos verdadeiros, que poetas há pouquíssimos, deve ser apreciado longamente antes de passar para o próximo. Para não usar um poema daqueles tidos por incontornáveis, transcrevo aqui um que é cantado pelo Rui Veloso. E da música chegam poemas magníficos.

    QUEM VEM E ATRAVESSA O RIO
    JUNTO À SERRA DO PILAR
    VÊ UM VELHO CASARIO
    QUE SE ESTENDE ATÉ AO MAR

    QUEM TE VÊ AO VIR DA PONTE
    ÉS CASCATA SANJOANINA
    ERIGIDA SOBRE UM MONTE
    NO MEIO DA NEBLINA

    POR RUELAS E CALÇADAS
    DA RIBEIRA ATÉ À FOZ
    POR PEDRAS SUJAS E GASTAS
    E LAMPIÕES TRISTES E SÓS

    ESSE TEU AR GRAVE E SÉRIO
    NUM ROSTO DE CANTARIA
    QUE NOS OCULTA O MISTÉRIO
    DESSA LUZ BELA E SOMBRIA

    VER-TE ASSIM ABANDONADO
    NESSE TIMBRE PARDACENTO
    NESSE TEU JEITO FECHADO
    DE QUEM MÓI UM SENTIMENTO

    E É SEMPRE A PRIMEIRA VEZ
    EM CADA REGRESSO A CASA
    REVER-TE NESSA ALTIVEZ
    DE MILHAFRE FERIDO NA ASA

    A poesia é ritmo, é música, é um mar de emoções condensadas em poucas palavras. E para ser poeta é preciso ter um dom :)

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    1. (O homem passou-se de vez...)
      Olha lá, eu peracaso terei dito o contrário? Não. Só disse que não gostava, ora!
      E já agora, um texto poético original teu é que era; agora de outro....bah

      E já agora, o que é um poema verdadeiro uh?

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  4. E eu admirei-me que o tenhas dito, tu gostas de literatura e a poesia é, no meu entendimento, a forma mais nobre de literatura.

    Eu não sou poeta, quanto muito faço uns arranjos de palavras quando tenho inspiração para tal.

    Um poema verdadeiro, e volto a referir-me ao meu entendimento, antes que me dês mais na cabeça, é aquele que tem ritmo, melodia e nos deixa o pensamento a vaguear, tornando o mundo perfeito por breves segundos :)

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    1. Mas se já o disse tantas vezes, por aqui...Não me andas a ler assiduamente :P

      Ok, então um desafio só para ti: faz um "arranjo de palavras"...com, e cito, "ritmo, melodia", que "nos deixa o pensamento a vaguear, tornando o mundo perfeito por breves segundos. Vá... :)

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  5. Se o conseguisse dedicava-me à música e ganhava muito mais, garantidamente. Basta ouvir o que por aí se canta...

    Fica o pedido registado, pode ser que um dia destes me salte a faísca :)

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    1. Ganhavas muito mais, garantidamente? Olha que não é o que consta por aí: os músicos e artistas não enchem barriga com a sua arte, infelizmente. :)

      Fico à espera...sem data nem hora nem local marcados. :)

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Olha, apetece-me moderar outra vez! Rais' partam lá isto!

P.S.: Não sou responsável por aquelas letrinhas e números enfadonhos que pedem aos robots que cá vêem ler-nos.