quarta-feira, 27 de abril de 2011

Dos queques lisboetas ou do meu preconceito possivelmente provinciano

Há pouco tempo apelidei dois bloggers que eu acompanho diariamente e vice-versa de "queques lisboetas". Um estranhou, outro questionou. Nunca vi essas duas pessoas e provavelmente nunca as conhecerei. Mas, impulsivamente, chamei-as de tal quando ambos admitiram não saber localizar a minha santa terrinha, as minhas origens. O que entretanto levou a que eu reflectisse porque é que eu tenho esta opinião dos lisboetas. Opinião que não passa disso: duma generalização baseada em dois familiares residentes em Lisboa, em três pessoas que escrevem blogues e em comentários pouco abonatórios acerca de lisboetas emitidos por não-lisboetas.
E porque é que eu acho que são queques? Tal como eu não conhecia Forjães, também muitos lisboetas pensam que não há mais terrinhas além de Lisboa e aquelas por onde passam a caminho do Algarve. Muitos lisboetas não conhecem o verdadeiro sabor duma couve portuguesa acabadinha de apanhar. Não sabem o que é um verdadeiro arroz de malandro, com sangue avinagrado e muitos miúdos de frango. Nunca cheiraram a verdadeira bosta de vaca, largadas por estas no meio duma ruela de aldeia. Muitos falam com aquele tom irritantemente pedante, arrastado. Quando viajam para Aveiro ou Chaves, vão à província visitar a família, que até tem um sotaque típico.

Ora, tudo isto são preconceitos, como tal, facciosos. Nem todos os lisboetas são ignorantes da ruralidade do país e nem todos são interlocutores vaidosos. Nem todos esquecem as suas raízes e nem todos desconhecem o sabor sanguinolento duma posta à mirandesa.

Mas são, efectivamente, pensamentos que me ocorrem quando me deparo com lisboetas.

Faz favor de não me baterem com muita força, senhores bloggers lisboetas:P

5 comentários:

  1. Estou aqui a pensar que conheço tudo isso de que falas. Estou aqui a relembrar-me da minha infância passada em Forjães, onde descalços corríamos pelo "souto" com rodas de mota enquanto segurávamos num pau que as punha a rolar e indicava o caminho. Estou aqui a pensar que andei eu a apanhar batatas, couves, e a limpar espigas de milho ou a fazer a vindima quando era mais novo. Em Forjães. Estou aqui a pensar que íamos até ao rio em Forjães, mas no Estoril ia à praia. E vou. Estou aqui a pensar que ainda hoje vou a Forjães e por lá fico pelo menos uma vez por mês. Estou aqui a pensar nas papas de sarrabulho, no arroz de cabidela que comia em Forjães. Sim, em Forjães. Que tu não conheces. :-) Sim, mas ainda assim devo ser queque porque nasci em Lisboa e cresci no Estoril. :-P

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  2. Estou aqui a pensar, GM, que nem eu sabia que vivias no Estoril (o que não vai alterar a minha opinião dos queques lisboetas) nem tu quiseste realçar o meu antepenúltimo parágrafo, mesmo depois de eu me apelidar de preconceituosa :)

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  3. embora o post se destine claramente ao GM (estoril, ui, ui!...), devo dizer-te "de que":
    1) A terrinha até ao algarve chama-se A2;
    2) Tenho família espalhada por todo o lado, com a respectiva pronúncia alternativa à correcta, que é a minha;
    3) Muito saltitei eu para apanhar folhas de couves mais altas que a minha avó para o caldito verde ao almoço;
    4) Não dei pérolas a porcos, mas comida... orgânica;
    5) Se hoje ainda tenho 5 dedos em cada mão e pé foi porque de facto tinha uma sorte incrível com a podoa
    6) No que toca (literalmente) a bosta de vaca, digamos que o seu alto teor de fibra, facilitando simultaneamente a sua moldagem e resistência, foi objecto de grandes construções.

    Por isso, menina, pense duas vezes... antes de me apertar a mão :p

    cupcake

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  4. O antepenúltimo parágrafo não era só para disfarçar? :-P

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  5. Cheguei agora aqui e já estou maravilhada, especialmente depois de ouvir falar de uma terra tão próxima da minha (e tão bonita como tudo aqui no Minho, pronto, até ao Douro Litoral eheheh).
    Infelizmente, alguns dos meus amigos lisboetas (e gosto muito deles) cultivam a mesma ignorância em relação à província... e nós, os de cá ou que por cá andamos, num instante conhecemos os básicos da capital, e somos capazes de amar, sem por defeitos, tanto Lisboa como Ribeira de Pena como Aveiro como Melgaço... adaptável, a malta da província... :)

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Olha, apetece-me moderar outra vez! Rais' partam lá isto!

P.S.: Não sou responsável por aquelas letrinhas e números enfadonhos que pedem aos robots que cá vêem ler-nos.