quinta-feira, 21 de abril de 2011

Anti-poema

Eu gostava de gostar de poesia

Daquela poesia que nos faz sonhar
Amar, delirar, reflectir, interpretar
As palavras ditas e as não ditas
Mas eu não gosto de poesia
Nunca gostei de ler e analisar versos
Estrofes, rimas emparelhadas e truncadas
Gostava de saber ler Rymbaud, Byron e Goethe
Talvez até Camões, Pessoa e Neruda
Gostava de me sentir enlevada por estes
E as suas hipérboles de amor
Por metáforas obscuras e fantasiosas
Pelas sinestesias das borboletas silenciosas
Que sobrevoam campos alentejanos

A verdejarem ao calor dum sol ainda tímido

Mas não gosto de poesia

Não consigo ler quadras sem bocejar

E com isto me vou embora
Ler a minha prosa vagarosa
Que me faz querer conhecer mundos
Árabes e japoneses e até portugueses.

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Olha, apetece-me moderar outra vez! Rais' partam lá isto!

P.S.: Não sou responsável por aquelas letrinhas e números enfadonhos que pedem aos robots que cá vêem ler-nos.