sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Mudam-se os tempos, mudam-se os meios...

...de comunicação, neste caso.



Era eu catraia e quando se aproximavam as férias escolares, ficava logo ansiosa porque ia perder o contacto com as minhas grandes amigas. Vai daí, não havia férias em que não houvesse troca diária de correspondência. Chagava a receber e a enviar 4 e 5 cartas por dia, algo semelhantes, a diferentes destinatárias, mas sempre enfeitadinhas com umas flores coloridas ou escritas em papel "à menina" personalizado. A caligrafia era cuidada e arredondada e eu tinha brio no que fazia: não podia haver rasuras nos meus segredos!


Eu até sabia a que horas é que o correio passava e esperava-o atrás da porta de casa, ansiando por aqueles envelopes mágicos que escorregavam por debaixo da porta da humilde casinha dos meus pais. Quando o carteiro não trazia nada, era um dia menos alegre. Ainda hoje tenho guardadas a maior parte das cartas recebidas, deles e delas - mais delas, já que se recebesse carta de rapaz, havia interrogatório.
Entretanto cresci, para cima e para os lados (mas não muito!) e a comunicação foi-se mantendo,ainda por carta e também por telefone - que não existia na minha casa, apenas na da minha avó, a Dª Maria Elisa. Telefone esse muito importante na minha vida, já que foi aquele objecto preto e pesadão que permitiu à minha cara-metade dar o primeiro passo duma longa história que dura há...deixa ver...hmmm 16 anos!!! É muito ano!



Hoje, não posso viver sem um computador ligado à net. E admito mesmo que uma das três primeiras coisas que faço quando chego a casa é verificar o meu correio electrónico e ver se alguém se lembrou de me mandar alguma mensagem importante, de vida ou morte - o que nunca aconteceu até à data, felizmente (as outras duas é pousar a carteira no chão do hall de entrada e de seguida dar uma mija). Estou (estamos?) tão dependentes destas caixinhas inestéticas, que não condizem nadinha com a mobília do escritório, que nos ligam ao mundo, indispensáveis e lúdicas, que até me esqueço do quão importante foram o carteiro e o papel na minha vida de adolescente! Não me lembro da última vez que manuscrevi uma carta ou um postal. É uma tristeza!




Digam-me lá agora como é que os "nossos filhotes" manterão contacto com quem está longe, daqui a uns 20, 25 anos?

10 comentários:

  1. Daqui a uns 20 anos já sai um holograma dos telemoveis e falas como se a pessoa estivesse ao teu lado. O holograma poderá se sentar ao teu lado e até mesmo ver tudo aquilo que se passa à tua volta.
    Que tal?
    ;)

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  2. Faço côro com o Pisconight.:)

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  3. O que é mau, porque até aqui podias escrever uma carta, fazer um telefonema ou enviar um mail sem roupa, na comodidade do lar.

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  4. e agora quem vive sem telemoveis? ninguem, mas antes não havia e tudo o que era combinado batia certo...
    bom fim d semana

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  5. daqui a 20, 25 anos, se eles (os filhotes) ainda por cá se conseguirem manter, resta saber se também conseguirão manter contacto, sequer com os que estão perto!...

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  6. teletransporte ? e falamos olhos nos olhos . nós já não sabemos o que isso é ; é só tlf e e-mail lol

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  7. eu tb sou do tempo das cartas!!
    (lol ao dizer isso parece que sou tão velha!! ehehhe)
    mas sim... sou do tempo das cartas para as amigas durante todas as ferias! das cartas de amor! dos postais de natal que enviava todos os anos no minimo 10... e recebia sempre em dobro...
    hoje confesso que já não faço nada disso... mas muito de vez em quando escrevo um postalzinho de amor... porque sei que esse não vai para o lixo... tal qual todos os emails/sms de amor enviadas/recebidas...
    e mais! tenho uma caixa cheia de cartas de amigas! espero nao me desfazer delas nunca!
    kiss

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  8. Bom dia!

    Hum... Se tudo correr como penso que irá correr, em breve os nossos descendentes regressarão aos sinais de fumo, isto é, se ainda existirem descendentes.

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  9. O Robino escreveu o que eu pensei depois de ler o teu post. Espero que não, que as coisas mudem, que os hábitos se alterem para que não tenhamos que pensar em ir viver para outro planeta quando este desaparecer.


    Mas voltar aos sinais de fumo, foi de facto a primeira coisa que me passou pela cabeça ......

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  10. há 16 anos??? wow!!!! :)
    eu nunca recebi muitas cartas :(. Aliás, o ano em que recebi mais cartas foi o de 2004/2005: contas para pagar. Já quanto aos emails sou tal e qual como tu.

    O post de cima não comento pq já conhecia e acho fenomenal (ups... estou a comentar...). Boa semana!!!
    A minha começa sempre da pior maneira: com as pequenas "bestas".

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Olha, apetece-me moderar outra vez! Rais' partam lá isto!

P.S.: Não sou responsável por aquelas letrinhas e números enfadonhos que pedem aos robots que cá vêem ler-nos.