quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Acho que tanto o título como o texto têm mais de 140 caracteres, e como são longos, tanto texto como título não são interessantes nem agradáveis de dar uma vista de olhos para um leitor mais incauto que caia aqui de paraquedas

Um destes dias, o meu fornecedor de links interessantes, aka Riquinho para quem é da casa, mandou-me um com um texto acerca das redes sociais, do facebook e twitter em particular. Eu tenho conta no facebook, nunca tive no twitter e espero continuar mentalmente sã para nunca abrir uma. 140 caracteres não chegam nem para escrever alguns dos meus títulos, quanto mais o que me apetece! Quanto ao facebook, abri conta por influência duma pessoa que nunca vi à minha frente nem conto ver antes de morrer, mas nunca se sabe. De qualquer modo, é algo que raramente uso. Não lhe acho piada nem utilidade. Aliás, chateia-me ainda receber algumas notificações sobre assuntos que não procuro. Da última vez que fiz anos, fui bombardeada pelos meus contactos de lá. Claro que gostei, mas questionei-me se, caso não tivessem sido digitalmente avisados, se teriam recordado do meu dia. Duvido muito. E ainda não lhes agradeci via facebook nem conto fazê-lo. Sou anti-social, que hei-de fazer? E eu que há uns anos era frequentadora de salas de conversação online e vibrava com as novas amizades que por lá se faziam! Inclusive cheguei a ir a um jantar de chatters, no Porto, pessoal que nunca mais vi mais gordo.
Mas voltando às redes sociais...
Na perspectiva do autor do tal texto, estas servem basicamente para que as empresas por detrás das páginas sondem os gostos do pessoal que por lá anda, para coscuvilharem com o intuito final de conseguir comercializar algum produto que nem sequer era necessário ou atraente, mas de repente passou a ser para milhões de pessoas. É possível que esta ideia seja uma verdade acerca destas redes. Eu continuo a gostar de tocar, cheirar, olhar de perto o produto que quero comprar. Até já desisti de fazer compras na Vertbaudet! (Já são poucas as roupas de lá que servem ao meu petiz, de qualquer modo). O senhor afirma ainda que nas redes sociais não se criam amizades, fazem-se "allies", aliados. E eu acho que ele tem uma certa razão: convive-se com pessoas através duma máquina, conhecem-se os gostos uns dos outros, os ódios, as preferências e sei lá que mais. Mas a quantas pessoas das redes sociais recorreríamos para nos ajudar a resolver um problema grave, de saúde ou dinheiro, que precisasse de resposta imediata? Sei que o Carlos Martins e família receberam imenso apoio depois de terem partilhado o que se passava com o filho. Mas será que se pode chamar "amigo/a" a cada uma das pessoas que se solidarizaram com a situação? São amigos, sim, mas a um nível diferente dum amigo que se conheça há anos e de cujo cheiro ou sorriso ou hálito matinal horroroso nos recordemos. São amizades artificiais, com origem numa situação urgente, esporádica e, espera-se, única na vida duma pessoa.
É mais ou menos como esta cena dos blogues. Criamos afinidades com este e com aquele, lemos os blogues uns dos outros, comentamos, discordamos, brincamos, odiamos, formamos a nossa rede social de leitores / escritores, mas quantas destas pessoas são realmente nossas amigas? Quantas destas pessoas estaríamos nós dispostos a ajudar sem ser apenas com palavras escritas? Quantas destas pessoas se aperceberiam que tínhamos estado num hospital, inesperadamente, a não ser que viéssemos aqui escrever sobre tal?
Claro que me dá prazer estar aqui a escrever para ser lida e ler os outros. Não só gosto da atenção que aqui recebo, como a minha costela de cusca delira com as novidades que alguns e algumas bloggers deixam sair cá para fora. Gosto de saber que as pessoas andam bem e felizes. Também gosto dos seus textos mais lacónicos, azedos e sem papas na língua. Mas ainda não me considero amiga deles e delas todos, não na minha acepção de amizade. Falta-me ver os sorrisos e as lágrimas, tocar-lhes na pele, apanhar-lhes os tiques que não revelam na escrita, ouvir-lhes o tom de voz e concluir do seu humor do momento. Se é possível apreender tudo isto dum texto? Possível é, mas não é a mesma coisa.
Resumindo, as redes sociais, dos quais os blogues são apenas um raminho pequeno, são também uma ilusão de amizade alimentada por nós todos, dão trabalho a muita gente, lucro a mais alguns, dissabores a uns, alegrias a outros e entretenimento a milhões. Por isso é que eu ainda aqui ando.

10 comentários:

  1. Elucida-me: paraquedas está escrito ao abrigo de qual dos acordos? :P

    Finalmente um texto digno de figurar numa coluna de opinião de uma publicação séria, Sábado e Visão à parte. Estavas inspirada :) E concordo com praticamente tudo o que dizes, menos aquela parte do hálito horroroso de manhã. Ainda se for ao final da noite...

    ResponderEliminar
  2. Sei lá; acho que sempre escrevi assim. Qual é a tua dúvida? A minha foi se teria ou não acento...

    Nunca dormiste com pessoal com quem tenhas estado a beber na noite anterior, nas Queimas ou assim? :P

    ResponderEliminar
  3. Verdade. Tudinho verdade. Nada como o toque, a presença, associar uma cara à escrita... mas na impossibilidade de conhecermos todos, ou sermos amigos de todos, uma palavra de força, um mimo, um sorriso mesmo que virtual conforta a alma e faz milagres.
    Um blog permite desabafar e interagir com os outros, em vez de blog proponho que lhe chamemos Deita cá para fora!

    ResponderEliminar
  4. AC, se algum dia decidir mudar o nome deste blogue, vai ser esse sugerido por ti! Merci :)

    ResponderEliminar
  5. Tenho de apanhar o comboio no teu blog, estou uns bons posts atrasados pah!
    Acho que tens bons argumentos neste post mas, confesso que em casos muito específicos, sinto que criei laços com algumas pessoas blogosféricas. E gosto de pensar que são amigas. Uma já conheci (foi esperar-me ao aeroporto no Natal, o que tornou o encontro original e já repetimos a proeza) e quem sabe virei a conehcer mais.
    Quiçá :)

    ResponderEliminar
  6. Pusinko, acredito que haja circunstâncias que tornem estas amizades e alianças digitais mais reais. Eu própria já tive experiência disso. Ainda assim, é-me difícil ver as poucas pessoas que conheci pessoalmente como "amigos/as" de peito. De todos/as que me lêem, leram, comentam e comentaram, apenas uma já me conhecia antes de eu começar com isto. E eu não lhe disse nada, ela descobriu por mero acaso, através duma blogger de Leiria que nunca conheci nem com quem alguma vez falei. Este é um mundo muito pequenino. :)

    ResponderEliminar
  7. Este mundo é muito mais pequeno do que eu imaginava. Blogosfera incluida!
    E, claro, há diferenças entre amigos e amigos do peito. Os 2os são um grupo reduzido, mas o núcleo duro das amizades!

    ResponderEliminar
  8. Ora nem mais, contam-se pelos dedos :)

    ResponderEliminar
  9. Pseudo, quando a Pusinko vier cá temos de marcar um encontro as três... e garanto-vos que nos vamos divertir imenso nesse dia...
    :P

    (Agora vou ler o post... é que dado o adiantado da hora assustei-me com o tamanho e resolvi ler os coments primeiro!... à cargaaaaaaaaaaaaaaa...)

    ResponderEliminar
  10. Sim, o entretenimento é a palavra de ordem e a chave que abre a conta do nosso perfil da maioria das vezes que cá vimos.
    E digo a maioria porque não é apenas entretenimento o que obtemos com a escrita e leitura de blogues (e vou-me restringir apenas ao universo dos blogues).
    Obtemos solidariedade quando estamos mais em baixo, desabafamos aquilo que noutro local seria mais complicado de fazer... e encontramos também notícias daqueles a quem já nos afeiçoamos. (entre outras coisas)

    A mim é-me muito fácil afeiçoar às pessoas, gosto de mimar e dar carinho e, se for verdade, não tenho pejo nenhum em dizer a alguém "gosto de ti". Sei que não podemos equiparar as amizades que construímos através de um blogue àquelas que já temos há anos!! Ora bolas... pudera... mas deixa os anos passar e aquelas que subsistirem vão ser iguais às outras.
    Eu posso afirmar que neste meio já fiz amizades para a vida... daquelas que vou a outro canto do país se for preciso, para ir ver um amigo ao hospital... ou que até empresto o meu já escasso dinheiro para ajudar uma amiga a começar uma vida nova... ou daquelas que, mesmo estando durante a semana aqui em contacto permanente, raro passa um domingo sem enviar um sms a desejar um bom dia...

    Tinha mais exemplos para te dar... mas fica pra depois senão é hoje que durmo no tapete... hehehe

    ResponderEliminar

Olha, apetece-me moderar outra vez! Rais' partam lá isto!

P.S.: Não sou responsável por aquelas letrinhas e números enfadonhos que pedem aos robots que cá vêem ler-nos.