sábado, 10 de março de 2012

Nem de propósito - não conheço o autor. Chama-se José Manuel Fernandes

 ADENDA: Afinal menti-vos sobre o autor; ignorem o título e atentem no primeiro comentário. De qualquer modo, eu nunca tinha lido esta pérola tão esclarecedora da evolução da nossa língua e o que eventualmente ainda a espera.



"Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam .
Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros . Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas. É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer ?
Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade .
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra .
Porqe é qe "assunção" se escreve com "ç" e "ascensão" se escreve com "s" ?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o "ç" .
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o "ç" e o substitua por um simples "s" o qual passaria a ter um único som. Como consequência, também os "ss" deixariam de ser nesesários já qe um "s" se pasará a ler sempre e apenas "s" .
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, "uzar", é isso mesmo, se o "s" pasar a ter sempre o som de "s" o som "z" pasará a ser sempre reprezentado por um "z" .
Simples não é? se o som é "s", escreve-se sempre com s. Se o som é "z" escreve-se sempre com "z" .
Quanto ao "c" (que se diz "cê" mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de "q") pode, com vantagem, ser substituído pelo "q". Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de "k" .Ponha um q.
Não pensem qe me esqesi do som "ch" .
O som "ch" será reprezentado pela letra "x".
Alguém dix "csix" para dezinar o "x"? Ninguém, pois não ?
O "x" xama-se "xis". Poix é iso mexmo qe fiqa .
Qomo podem ver, já eliminámox o "c", o "h", o "p" e o "u" inúteix, a tripla leitura da letra "s" e também a tripla leitura da letra "x" .
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex .
Não, não leiam "simpléqs", leiam simplex .
O som "qs" pasa a ser exqrito "qs" u qe é muito maix qonforme à leitura natural .
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente .
Vejamox o qaso do som "j" .
Umax vezex excrevemox exte som qom "j" outrax vezex qom "g"- ixtu é lójiqu?
Para qê qomplicar ? ! ?
Se uzarmox sempre o "j" para o som "j" não presizamox do "u" a segir à letra "g" poix exta terá, sempre, o som "g" e nunqa o som "j". Serto ?
Maix uma letra muda qe eliminamox .
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem !
Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex ?
Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade ?
Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam! Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox. A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia.
É o qazo da letra "a". Umax vezex lê-se "á", aberto, outrax vezex lê-se "â", fexado. Nada a fazer.
Max, em outrox qazos, á alternativax .
Vejamox o "o": umax vezex lê-se "ó", outrax lê-se "u" e outrax, lê-se "ô" .
Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso !
qe é qe temux o "u"? Se u som "u" pasar a ser sempre reprezentado pela letra "u" fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u "o" pasa a suar sempre "ó", tornandu até dexnesesáriu u asentu.
Já nu qazu da letra "e", também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa "é", abertu, pudemux usar u "e" .
U mexmu para u som "ê" .
Max quandu u "e" se lê "i", deverá ser subxtituídu pelu "i" .
I naqelex qazux em qe u "e" se lê "â" deve ser subxtituidu pelu "a". Sempre. Simplex i sem qompliqasõex .
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u "til" subxtituindu, nus ditongux, "ão" pur "aum", "ães" – ou melhor "ãix" - pur "ainx" i "õix" pur "oinx" .
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu .
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum ?"

11 comentários:

  1. Pseudo,
    Lamento mas esse texto EXCELENTE não é do JMF, foi publicado na Biblioteca de Jacinto:

    http://abibliotecadejacinto.blogspot.com/2009/08/o-acordo-ortografico-e-o-futuro-da.html...

    Não me parece que a MCA o tenha copiado, isto sem querer dizer que o JMF não o pudesse ter escrito também. Vou esclarecer, podes fazer o mesmo.

    Klaro k me fartei de rir kom o textu!!!

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  2. Tio, obrigada pelo esclarecimento. Já me retractei. :)

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  3. Pseudo,
    :-)
    Istas cempre em sima do acontesimento...
    E kando kolocas a subxcrisao por imail otra ves? Funsiona!

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  4. Tio, eu sei que funciona.
    Eu é que devo estar a ser loira, pois não consigo activar essa opção no meu painel. Talvez, como disse a Ana, tenha a ver com o template ou qualquer coisa do género que é incompatível com essa opção. O que é estranho é que, quando eu estou a comentar aqui, eu vejo essa opção, mas pelos vistos vocês não acedem a ela.

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  5. Eu passei de picuinhas a "percebicionista": dantes irritava-me solenemente a ignorância gramatical e ortográfica que grassava pelo mundo lusófono. Agora, de tão maltratado que anda a ser, claro que numa manobra conspirativa para dificultar a comunicação entre as pessoas e enfraquecer a oposição ao poder instituído, já que sou um adepto do software livre também advogo agora uma língua livre: desde que se perceba, marcha tudo :-)

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  6. Riquinho, possivelmente, mais cedo ou mais tarde, também eu me renderei ao que for mais fácil, desde que se entenda e haja comunicação, mas para já prefiro continuar a ser picuínhas. :)
    (de qualquer modo, tu sempre andaste uns bons passos à minha frente :P)

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  7. O impressionante desta coisa é que se percebe! E sim, resolveria uma série de regras sem lógica da linguagem. Como a questão do ç e do ss, ou do o quando lido como u. Claramente, há cérebros lógicos e matemáticos e outros filosóficos e artísticos. Não é por acaso que o ensino, nos seus anos mais avançados, está dividido entre os que seguem cursos de base matemática e os que simplesmente lhes fogem :)

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  8. Ness, pois percebe-se porque é coerente, ao contrário do AO actual, que aplicas, que permite grafias duplas e ambivalentes. Se é para unificar a escrita entre países onde se fala Português, que seja igual para todos.

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  9. !Os que simplesmente lhes fogem"? Estarás tu a denegrir filósofos, escritores, pensadores políticos, pintores, escultores, pessoal ligado ao cinema, etc, etc, etc?

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  10. Não, faço aqui o meu ato de contrição e excluo do que acima escrevi todos aqueles que foram para as "letras" por convicção :) E ignorei propositadamente as artes, que isso é outro universo :)

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  11. Lindo menino :P

    Não te esqueças que há vários tipos de inteligência. nenhuma com menos valor do que as outras. :)

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Olha, apetece-me moderar outra vez! Rais' partam lá isto!

P.S.: Não sou responsável por aquelas letrinhas e números enfadonhos que pedem aos robots que cá vêem ler-nos.