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Não há céu estrelado como o transmontano

Tendo passado 60 horas em território transmontano, onde estava mais fresquinho do que aqui (cheio de fumo, fogo, mau cheiro e cinza a pairar e a parar em todo o lado), pude, mais uma vez, constatar que as estrelas por cima de território para lá dos montes nortenhos brilham mais intensamente do que as do litoral. É sempre bonito de ver e pensar no quão pequenos somos todos nós neste espaço infinito de que pouco se sabe. É sempre triste pensar que continua a haver e continuará a haver pessoas que têm gosto em estragar (note-se o eufemismo pseudo-ingénuo) o local que as rodeia. Isto só lá vai com um linchamento ou uma fogueira popular. Não tenho dúvidas disto.

As cadeiras de rodas podem enganar

Continuo na onda dos policias nórdicos. Só que o último lido não tem nada a ver com as duas ou perto de três dezenas de nórdicos anteriores. Este, de um autor norueguês menos conhecido para mim - Hans Olav Lahlum -, não menciona uma única vez a palavra internet , nunca faz uso de computadores ou outros gadgets de final de século XX e o actual, não descreve correrias aéreas e/ou rodoviárias entre diversos continentes, não menciona as consequências do jet lag , não aponta para recursos policiais e tecnológico-forenses partilhados entre equipas de investigação eventualmente concorrentes umas das outras. Nada disto acontece! O crime passa-se no final da década de 60 do século passado, em Oslo, num compartimento trancado por dentro, onde se encontra o sexagenário morto com um tiro. As janelas estão fechadas, não há sinais de luta, violência ou arrombamentos. O crime é resolvido em 10 dias pelo inspector K2 e pela sua auto-imposta, secreta e brilhante assistente Patrícia, de 18 anos,...

Para que serve um tablet lindo de morrer?

Basicamente para ver vídeos de bebés peidorrentos e animais com bebés e bebés a brincar com os seus pets e os pais a fazerem figuras tristes. Pronto, e é isto durante lonnnnnnnnnngooooooooosssssssssss minutos! E livros? - perguntam vocês. - Pois, não me parece que, mesmo com o brinquedo novo, tão cedo me renda aos electrónicos.

Instrumento musical sexy: o violoncelo

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Parecem um bocado loucos a tocar AC/DC, mas não deixam de ser cómicos...

Bond ou Bourne: Dilema?

Não, não há comparação possível. Bond 4ever ! Este Bourne vive demasiado de perseguições automobilísticas, de situações improváveis para leigos sobre efeitos especiais e operações clandestinas americanas. Dizia o meu pai: "eles têm sempre pessoas e armas prontas à chegada nos aeroportos" e é mesmo incrível como é que as pessoas certas estão sempre nos locais certos à hora certa . E depois há perseguições intermináveis sem ninguém a falar ou sequer aos berros. Que seca! Gostei mais de ver o Vicentinho no papel de menino rico roubado, na saga Ocean's ,  do que no de vilão feio e implacável - a riqueza e o luxo assentam-lhe melhor. Já a agente espertinha devia sorrir mais, bolas! Ela é bem bonita, apesar da voz estranha inicial que não condiz com a figura frágil que às vezes fingiu ser perante terceiros. O velho director da CIA morreu, na sua hora. Mehhhh....

Verdade óbvia

Os momentos de tédio existem com um propósito único: para darmos mais valor aos momentos de excitação e deslumbramento, em menor número do que os outros.

Ando a ler coisas giras tarde e a más horas

Ontem relia um americano nada conhecido que, aos 64 anos, se lembrou de pôr no papel as suas memórias, desde os primeiros dias de vida, de que não se lembrava, até àquela altura em que se confessava em público e deu para falar consigo próprio . E agora um aparte meu, para referir que uma das coisas que aprecio observar nos homens é as suas mãos e as unhas: gosto delas com dedos longos, elegantes, com unhas limpas onde se note a linha branca ligeiramente circular que as termina. Com pele hidratada, bem tratada, de preferência mais morena do que leitosa. Faço questão de, discretamente, observar e julgá-las (e de vez em quando, deixar a imaginação voar) quando sou atendida por algum homem. Isto a propósito do que a seguir relato e que me fez gargalhar e pensar comigo que este homem em particular devia ser um sacaninha engraçado cuja grande obra é para mim ilegível, intragável mesmo. Diz-se, no livro do tal americano que releio, que James Joyce, com 85 anos, ...

Alma aberta

Queria ter coragem para voar Ver outros mundos e espantar-me Ouvir histórias inacreditáveis Contar histórias vividas Queria viver como imaginara, Não viver como posso Rir-me a toda a hora Não pensar no que não foi Queria sentir o que não sinto E não sentir o que sinto, Sentindo-me estranha por não sentir Queria olhar e agir Pensar e fazer Planear e rir

Que chatice!

Não consigo não me chatear com isto , não obstante reconhecer que é uma atitude egoísta de minha parte. É que eu gosto mesmo de a ler e acho que consegue, e sempre conseguiu, estar imune à silly season por que a maior parte dos meus blogs estão a passar. E agora vou ler o quê, hein?

Coisas de que não vou gostar, à partida

De conduzir do lado errado da estrada De beber cerveja que sabe mal Do tempo mais frescote Das inevitáveis indecisões Dos turistas asiáticos de máquina em punho De andar de avião Da comida estranha mal cozinhada ... Mas sei que vou adorar reviver e recordar tudo e mais alguma coisa do que aconteceu há 21 anos!

Combinações improváveis

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AC/DC, banjos, hóquei no gelo, tractores, finlandeses e rock/metal da pesada. Fabuloso e com humor. (Descoberto em blog alheio)

Ideias soltas

Os padres deveriam poder casar-se e/ou constituir família Os milagres deveriam ser reais Os bilhetes de avião para umas certas ilhas portugueses deveriam ser mais baratos Os pratos à base de massa não deveriam engordar O teletransporte já deveria ser uma realidade A NSA e congéneres deveriam ter férias permanentes Certas pessoas deveriam manter a boquinha fechada ou, pelo menos, dizer menos asneiras O Vaticano deveria partilhar as suas riquezas Os carros voadores não poluentes já deveriam andar no ar O elevador deste prédio deveria ser mais fiável A memória deveria perdurar infinitamente O café, os alimentos e o tabaco não deveriam amarelecer os dentes A maldade não deveria ter sido sequer uma palavra quanto mais uma característica ...

Um café e um croissant de chocolate

Hoje passei cerca de uma hora na conversa com o R., de 19 anos (conheci-o com 16) e a P., de 16 anos (conheci-a com 13), namorados desde os 17 dele e os 14 dela. Ainda eu era professora de ambos e já achava que esta relação tinha trazido imensos benefícios mais para ele do que para ela, pois enquanto que ele era um daqueles miúdos por quem não se dava nada , ela brilhava em tudo o que se metia. Totalmente opostos em termos académicos. Como me enganei na questão dos benefícios! Quando se gosta de alguém a ponto de a relação perdurar contra muito do que se dizia, não há benefícios nem contrapartidas. Simplesmente há algo entre eles. E estes miúdos têm esse algo. Mesmo tendo seguido percursos estudantis bem distintos, estão ambos fantásticos, sorridentes e continuam juntos. Ambos voluntários em actividades de verão aqui na cidade. Falámos de outros alunos, deu para recordar momentos hilariantes, momentos de tensão, situações e pessoas que na altura me puseram tola, pe...

Julho na cidade

Cidade essa que se tem tornado pequena para abarcar os nativos, os que vêm cá trabalhar, os veraneantes (como eu) e os outros turistas. A azáfama nas ruas traz certamente retorno económico aos estabelecimentos comerciais, principalmente aos da restauração. As ruas estão mais coloridas, mais alegres, mais joviais. Ouvem-se as línguas, o francês, o chinês (ou japonês? não sei), o castelhano, o italiano. A zona ribeirinha fervilha à medida que a tarde avança para a noite. As máquinas fotográficas e os telemóveis elevam-se uns centímetros para abarcar a cena toda que é impossível de abarcar na totalidade. As escadas de acesso à igreja matriz e alguns edifícios renasceram com tanta cor. O rio corre cheio a convidar a banhos, passeios e brincadeiras na água. Os fins-de-semana recebem milhares de pessoas à procura de diversão e a barraca já é notoriamente pequena para as enormes noites de concertos. E dia 24 haverá fogo-de-artifício a não perder, depois da actuação do sérvio & compa...

Devaneios sobre o tempo

O tempo esticado não me dá tempo para acabar a tempo o tempo dado pois o tempo dado esticou-se tanto que o perdi a perder tempo. O prazo do tempo acaba amanhã.

Vejo uma coisa boa nisto dos pokemons (mas só uma)

Estando o rapaz de férias escolares há cinco semanas, a semana passada foi passada, entre outras atividades mais caseiras, na rua, a calcorrear ruelas e atalhos e travessas à procura dos coisos, isto é, obrigou-o a movimentar-se depois de quatro semanas mais paradas devido à interrupção do exercício físico regular. É que já se nota bem a barriguita proeminente e um pneuzito que não existiam antes das aulas terminarem. E por muito alto que ele já esteja, comer que nem um leão faz mossa.

Caça aos Pokemons

Depois de um brunch que finalizou com um pastel de nata e um café no local habitual, fomos à caça de pokemons. A dada altura, dentro da livraria Bertrand e enquanto descíamos para o piso de entrada, com mais um livro policial (desta vez em língua portuguesa, uma colectânea de nove autor@s), e um livro sobre Java na calha, diz o rapaz, espantado: "Olha, está aqui um nas escadas. Vem apanhá-lo!" . E pronto, lá limpei mais um pouco o pó ao seu ecrã ao mesmo tempo que apanhava o meu primeiro gambuzino pokemon. O senhor Manuel, que deve ter os seus 55-60 anos e é funcionário do dito cujo estabelecimento livreiro, partilhou connosco que o seu quintal, aquele sítio onde ele planta as couves e os tomates, estaria infestado destes coisos e que o seu neto andava louco à caça deles ontem ou anteontem. E ainda acrescentou que, se fossemos por uma determinada rua que desembocava em determinado largo, iriamos acrescentar imensos bichos destes à já grande, e pelos vistos infinita, colec...

E a miúda que nunca mais sai, hein?!

Se não rebentassem as águas à mãe nos dias iniciais de Julho, o parto seria induzido ontem. A verdade é que é terça à tarde e não há meio de a miúda sair. É que nem com epidural, pelos vistos! E está aqui uma pessoa ansiosérrima, a olhar para as mensagens de cinco em cinco minutos. Até parece que a sobrinha é filha minha! Adenda das 21:45: lá saiu, depois do sofrimento a que toda a mãe tem direito , de cesariana, após quase 41 semanas. Enfim...

Antes da aventura final

Hoje vou ter esperança que onze jogadores se chamem todos "João Sem Medo", que sejam valentes, intrépidos, desafiadores e permanentemente optimistas, que nunca desanimem e que ultrapassem os monstros, as partidas, as artimanhas, os castelos feios e os palácios frios, do mesmo modo que tal personagem literária o fez durante as suas aventuras para lá do Muro. Que regressem a chorar, de alegria e histórias e emoções para contar.

Haja boa disposição

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...e criatividade: